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A mulher do fim do mundo não para

Planeta Fome vem pra avisar que não vamos sucumbir

Em 1953, Elza Soares participava pela primeira vez do programa Calouros em Desfile na Super Rádio Tupi. Quando a cantora subiu no palco, levando o sentimento de luto pelo marido que havia falecido, além de todo peso da realidade miserável em que vivia, foi interpelada pelo apresentador Ary Barroso: De que planeta você veio? Elza responde: Do mesmo planeta que o senhor, o Planeta Fome.

Há cerca de um mês foram lançadas novas músicas nessa voz empoderada e infinitamente ativa de Elza Soares. O disco Planeta Fome é uma das obras contemporâneas que melhor representam os dias de agora, sobretudo no que se refere ao Brasil. Diversos artistas compõem as canções do disco: Russo PassaPusso, Seu Jorge, Gonzaguinha, Sérgio Britto com Paulo Miklos, Pedro Loureiro e Luciana Mello, entre tantos outros nomes da nossa música.

Uma das canções mais emocionantes do disco é Menino. A composição de Elza é um apelo ao menino, para que chegue perto e ouça o que a mestra tem a dizer. Em seu lugar de fala, ela reconhece a tristeza de não se ter casa nem pão, mas clama para que ele respeite seu próprio irmão. Afinal, são eles o futuro da nação.

Além das ideias afiadas na franqueza sobre nosso presente, as batidas eletrônicas misturadas aos elementos sonoros afrobrasileiros trazem uma pegada forte de ancestralidade, que melhor representam a música brasileira contemporânea.

O desenho da capa tem diversas mensagens que descrevem nossa sociedade com maestria. É preciso olhar com atenção e interpretar cada símbolo, todo detalhe remete características do que vivemos hoje. É tempo de se posicionar frente às mazelas e não sucumbir.

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Tamyres Maciela

Tamyres é linguista e musicista. Curiosa pelos estudos culturais, aprendiz da cultura popular latinamericana e amante da música. Colunista na ESCUTA e n’A Casa de Vidro.

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