GULAG TUNES

A primeira vez do Rio

De Jacarepaguá a Lisboa e Las Vegas...

Nascido em 1985 e agora fenômeno global, o Rock in Rio é, realmente, um dos festivais de música mais emblemáticos do mundo atual. Olhar para a escala absoluta dos números quando se trata de tamanhos de público, performances lendárias e alcance global. A primeira e histórica edição, aconteceu em um terreno de de 250 mil metros quadrados em Jacarepaguá. Ali, foi armado o maior palco do mundo até então com 5 mil metros quadrados de área. A estrutura do festival ainda contava com dois enormes fast-foods, dois shoppings com lojas, centros de atendimento médico e uma grande infraestrutura. O icônico festival brasileiro é muito mais do que a programação musical (reconhecidamente imensamente impressionante). Teatro, dança, gastronomia, jogos e muito mais.

Realizado pela primeira vez entre os dias 11 e 20 de janeiro. O primeiro RnR não teve pausas na programação: foram 10 dias ininterruptos de festa. Outra coisa que impressiona é o line-up do evento, que contou com a presença de 15 artistas nacionais e 16 internacionais.

A primeira edição do festival, foi maior que o Woodstock e registrou um público de 1,38 milhão de pessoas ao longo dos 10 dias, e foi repleta de momentos antológicos. Primeiro foi o Queen — que subiu ao palco nos dias 11 e 18 de janeiro — outro, foi o do Barão Vermelho — que se apresentou em 15 e 20 de janeiro —, sob a batuta de Cazuza. Nenhum dos dois cantores voltaria a se apresentar no Rock in Rio. Freddie morreu seis anos depois, em 1991, ano da segunda edição do festival. Já Cazuza nos deixou em 1990.

No evento realizado 34 anos atrás, o Governo e a prefeitura do Rio de Janeiro começaram por, a dada altura, bloquear as obras da Cidade do Rock (alegadamente com receio de que Roberto Medina quisesse enveredar pela política). A igreja manifestou-se também contra a iniciativa que, supostamente, iria promover maus comportamentos e um eventual abuso de sexo e drogas. Mas também houve quem desse a mão a este projecto. A Brahma, ofereceu-se para ser o primeiro patrocinador da iniciativa e o povo dos Queen, imaginem, também colaboraram emprestando a estrutura de iluminação para todas as bandas, sem a qual a realização do evento poderia não ter sido possível. :/

No dia 11 de Janeiro de 1985, o Rock in Rio abriu as portas, pela primeira vez, com um cartaz de luxo onde constavam nomes como: Rita Lee, Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, tremendão, Barão Vermelho, AC/DC, Iron Maiden, Rod Stewart, Ozzy Osbourne e Queen, foram 10 dias de festa, com a actuação de 28 bandas e cerca de 1.380.000 pessoas. O Brasil entrou assim para a história dos grandes eventos musicais.

As lendas e histórias que acho mais legais:

O Iron Maiden ¥
e o acidente de palco…

A banda atuou no dia de abertura do festival, a 11 de Janeiro de 1985, para mais de 100 mil pessoas. O palco estava decorado com deuses da mitologia egípcia e hieróglifos. O vocalista, Bruce Dickinson cantou uma boa parte do concerto com a cabeça ensanguentada porque, durante a interpretação da quarta música, “Revelations”, ao passar uma guitarra para o road manager da banda, acertou sem querer no próprio rosto. Mas.. show must go on e Bruce continuou a actuação como se nada tivesse acontecido.

O Sino do
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Quando aceitaram integrar o cartaz da primeira edição do Rock in Rio, os AC/DC fizeram uma “pequena” exigência. Ou traziam o tradicional sino que habitualmente acompanha a música “Hells Bells” ou nada feito. A organização aceitou e patrocinou o transporte do sino, através de um navio, para o Rio de Janeiro. No entanto, o palco não suportou o peso deste elemento decorativo (uma tonelada e meia), e o cenógrafo do festival acabou por fabricar uma réplica de gesso à pressa. Nesta actuação o famoso guitarrista da banda, Angus Young, fez um striptease no palco. Só porque sim…

E a do ۝ΖΖϓ né

Ozzy subiu no palco com uma camisa do Flamengo, ao som de “I Don’t Know”. O contrato feito com o cantor para este evento tinha uma cláusula no mínimo hilariante. Depois de, durante um concerto em 1982, nos Estados Unidos, onde uma pessoa da plateia lhe atirou um morcego vivo para o palco e ele, ao achar que o animal era de plástico, arrancou-lhe a cabeça com uma dentada, a organização do Rock in Rio decidiu proibir o cantor de morder qualquer tipo de animal vivo durante sua actuação. Por causa deste incidente, um fã atirou uma galinha para o palco da Cidade do Rock.

Em 2019 como parte do ciclo de dois anos que vê o evento alternadamente entre Brasil e Portugal, a empresa de Roberto Medina, quer começar um novo ciclo… mais voltado para o marco da experiência mágica do Rock in Rio.

De Ney Matogrosso (que abriu a primeira edição) a Katy Perry passando por quem se destacou nas edições intermediárias brasileiras e nas versões portuguesas, espanholas e americana do festival, na minha opinião o Rock In Rio de janeiro de 1985, só não foi mais histórico por não contar com o lendário Serguei ( Esse foi lançado na edição de 1991) e por estar 3 anos adiantado na história da linha do tempo do verão da lata…

Por essa semana é tudo, pessoal!

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Opium Jones

Opium Jones é um pirata que queima pontes e destrói miragens com frases que provocam visões e colisões. Uma alucinação de ácido, e por que não um desses mistérios da vida. É um cara loco e insano que ama a psicodelia da vida e vagar por aí. A única coisa que sabe com certeza, é que não sabe o que quer fazer. Escritor e poeta, usuário de drogas, faz som e uns filmes. Faz um monte de coisarada... Só seguir!

FALA AÊ!

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