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Beto Cupertino busca sossegos intranquilos no disco “A Gente Vai Encontrar Sossego”

O vocalista da banda goiana Violins propõe olhares para si e para o mundo no seu novo trabalho

Depois do excelente Tudo Arbitrário (2016), Beto Cupertino, o vocalista da banda goiana Violins, volta com um disco mais introspectivo e que nos propõe novos olhares para o mundo.

É sobre esse trabalho que conversamos com o Beto.

ESCUTA: Depois de mais ou menos dois anos, você lança esse que é o seu segundo álbum solo. Desde a capa, a gente já percebe que esse tem uma pegada um pouco mais intimista. Como foi a escolha das músicas que acabaram entrando nesse disco?

BETO: Essas músicas foram feitas a partir do segundo semestre do ano passado até o começo desse ano. São músicas novas que eu vinha fazendo aleatoriamente em casa, sem nenhum objetivo a priori. Estavam gravadas no meu celular. Um dia, numa viagem de férias, eu estava deitado na cama e com celular nas mãos e um fone, e fui ouvindo as músicas que estavam gravadas no gravador do celular. Então veio a ideia de lançar um disco mais simples, com violões, dando uma ambiência bem limpa para essas músicas.

ESCUTA: Tem algum artista do cenário atual brasileiro que te influenciou de alguma forma na composição desse álbum?

BETO: Todos os artistas que estão produzindo música independente com qualidade me influenciam a fazer discos. Há trabalhos bem legais feitos atualmente por aí, acho que vivemos um momento ótimo de criações. Muitos artistas bons lançando bons discos no momento. Isso me influencia a produzir, traz uma boa energia. Para ficar só em Goiânia, posso citar a Branda, Casa Bizantina, Bruna Mendez, Carne Doce, Boogarins, e a lista poderia ir longe.

ESCUTA: Apesar de ter alguns pontos de encontro, você parece seguir outros cantos da música nos seus trabalhos solos. Qual a diferença do Beto da Violins com o Beto Cupertino cantor solo?

BETO: É uma diferença mais de dinâmica das bandas que me acompanham, e do nível do meu controle sobre esse processo. No Violins, como a banda já tem um modo de operar, apesar de eu levar as músicas já compostas, muita coisa se modifica, se acrescenta, se altera, por conta desse dinamismo de um grupo específico e que se conhece há muito tempo. Nos solo, a ideia é juntar gente diferente, fazer coisas mais soltas, improvisar mais no processo, e tentar manter a estrutura das músicas muito próxima do que foi sua composição original.

ESCUTA: Na primeira vez que escutei, esse álbum pareceu muito intimista, mas também vi que traz questões sobre o mundo, a sociedade, as pessoas. Qual sua música preferida desse disco? Qual das músicas você acha que traduz mais o Beto Cupertino neste ano?

BETO: Muito difícil para mim fazer essa escolha, mas vou tentar. Eu gosto muito do clima criado na música de abertura, Baque do Instinto.

ESCUTA: A Gente Vai Encontrar Sossego é um recado para você mesmo nesses tempos mais nefastos

BETO: Pode ser sim. É mais um norte a perseguir, uma constante tentativa. Quando se vive tempos que estão estranhos, a tendência é o cansaço desse estado e a busca por alguma coisa melhor.

A Gente Vai Encontrar Sossego é o segundo álbum do Beto Cupertino e pode ser escutado na íntegra nas principais plataformas de streaming.

Beto Cupertino é uma das atrações do Festival Bananada 2019.

Ouça A Gente Vai Encontrar Sossego no Youtube

 

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Natan Andrade Medeiros

Escritor de ficção científica e histórias de boteco, palpita nas horas vagas sobre música em todas as suas formas de vida (seja ela animal, vegetal ou mineral). Publicitário pela UnB e especialista em Mídias Sociais. Escreve contos e crônicas na publicação Simbiose, no Medium, desde 2016. Natan Andrade também está por trás dos podcasts da ESCUTA.

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