SIGA A MÚSICA, CAMINHONEIRA

Black Alien leva a Babilionia pra São Paulo em clima Abaixo de Zero

Na primeira parada do nosso truck vamos abastecer de RAP pra pegar estrada

Começa hoje uma roadtrip virtual que vai te levar pra shows e te apresentar novos sons, de uma forma bem leve e objetiva. Estreia a coluna SIGA A MÚSICA, CAMINHONEIRA que vai partir de São Paulo visitando (ou pelo menos tentando) cada cidade, em busca de novas referências. De sapatão pra sapatão – ou pra quem mais quiser ler – a gente lota a carroceria de música boa e experiências únicas, relatadas por quem tá vivendo mesmo. E pra começar paramos nosso truck na Barra Funda pra dar um gás nessa viagem… Vem com a gente!

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Agosto começou não apenas trazendo o frio de volta à vida dos paulistanos, mas também nos dando a honra de receber Black Alien para um show na festa Fresh! Dance Hall.

Num sábado à noite, nós jovens da maior metrópole da América Latina – ou não tão jovens assim, eu por exemplo tenho um esqueleto de 70 anos – apaixonados por música e estilos como Digital, Ragga, Dancehall e Rap, saímos corajosamente de casa, com um frio de 10 graus estalando na ripa para ir se esquentar numa festa sold out que teria a apresentação de Black Alien.

O evento foi na zona norte de São Paulo, eu e minha namorada atravessamos a cidade para chegarmos ao local. Fomos ansiosas e com as músicas do novo álbum fritando na cabeça e nos fones, para o que considero uma das melhores experiências de show que eu já tive em, digamos, alguns meses.

Gus estava programado para entrar a 1h30 pontualmente, como dizia no flyer de divulgação nas redes sociais da Fresh! Às 23h a galera começou a entrar na Fabrique Club afinal, comodisse, estava um frio dos diabos e lá dentro podíamos curtir a discotecagem dos DJs Magrão e Stranjah tomando nossa cerveja. Os Djs fizeram uma discotecagem fenomenal, tocando várias vertentes de músicas jamaicanas (das quais eu queria muito ter conseguido descobrir o nome delas no Shazam). Embalaram a festa e fizeram toda a galera dançar, se divertir e vibrar com a música rolando.

Foto: crewactive | photography

Ao mesmo tempo que entendia o quão política e importante era aquela festa, principalmente para a época que estamos vivendo, consigo compreender o quanto ela também foi libertadora para todas as pessoas que estavam naquele lugar. Era o momento de esquecer os problemas, se divertir e ser quem somos sem julgamento e sem se importar com o que os outros pensavam.

1h30 da manhã, como já esperado, Black Alien sobe ao palco. Com um show que teve cerca de 1 hora de duração. Gustavo apresentou o novo álbum chamado “Abaixo de Zero”, lançado em abril desse ano e com certeza um dos melhores lançamentos da música nacional do primeiro semestre. O rapper de 47 anos fez a galera se empolgar de uma maneira surreal, começou o show de maneira meio tímida, foi se empolgando e se soltando quando começou a ver que todos cantavam, pulavam e sabiam de cor e salteado (como já dizia a minha avó) todas as músicas que estava cantando.

Entre uma pausa e outra para beber água e respirar ele conversava com a plateia, elogiava a organização da festa, o DJ Magrão que estava tocando junto com ele, com quem já havia trabalhado outras vezes. Era incrível, o lugar vibrava e não era só a gente que vibrava enquanto ele cantava, nós conseguíamos ver nos olhos dele a alegria de ter toda aquela galera empolgada curtindo seu show. E até mesmo eu que estava só observando me admirava de ver como o público se entregou naqueles minutos. Olhava para o lado e tinha um rapaz que sabia cantar todas as músicas, vi casais se beijando e cantando olhando um pro outro a música “Como Eu Te Quero” do álbum Babylon By Gus – Vol.1. Se não me engano eu fui uma dessas pessoas.

Mas acredito que o que era legal de ver, é que mesmo com a quantidade de gente que estava ali, o show continuou sendo intimista, por que nós sabíamos que era ele falando basicamente dele no palco, pra tanta gente. Quem já escutou o novo álbum do artista sabe que as músicas são intimistas e com um quê quase autobiográfico. É possível ver tudo isso durante a performance dele no palco e se formos falar da voz, aí é um espetáculo a parte. Um show cantado sem playback, podemos sentir cada mudança de tonalidade da voz, e olha, ele simplesmente canta demais.

Com o fim da apresentação e muitos pedidos de bis, ficou a notícia de que era possível que rolasse uma apresentação quase que para o fim da festa, algo que infelizmente não tive pique pra ficar para ver (eu disse, eu sou uma idosa). Espero realmente que tenha rolado, mas pra ser sincera, vou ficar com a lembrança de uma amiga empolgada de uma tal forma, por conseguir ver ele depois de tanto tempo, de uma apresentação mais que memorável que espero poder ver outra o mais rápido possível e de um rapaz ao nosso lado, que sabia cantar todas as musicas de “Gustavo, filho de dona Gizelda e seu Rui”.

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Evelyn Gomes

Rata de shows; viciada em ouvir álbuns completos. Adquiriu o hábito da mãe viciada em música. Vai de João Gilberto a Mastruz com Leite na mesma playlist. Produtora Cultural por formação desde 2017, trabalha com curadoria musical e captação de artistas para music branding, mas já foi de diretora de palco a mecânica de robótica. Pesquisa produção editorial, música brasileira e direito autoral, seguindo como diz Marcelo D2: em busca da batida perfeita.

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