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Carne Doce ganha novo “Tônus” com terceiro disco

Banda lançou o álbum no dia 17 de julho

Após quase dois anos depois do lançamento de Princesa (2016), a banda Carne Doce lança o novo álbum intitulado Tônus (2018). O novo trabalho pode parecer mais introspectivo durante a primeira audição, mas as temáticas trabalhadas podem fazer parte da vida de diversas pessoas, em momentos diferentes. Predominam nas letras tons de vulnerabilidade, sensualidade e amargura, que dá as caras logo na faixa que abre o álbum, “Comida Amarga”:

Eu já venci
Já não sou mais gostosa
Você goza triste em mim/
Eu cato as sobras
Dos teus sinais
Eu sou a sobras
Junto com as sobras
Eu não sou mais

A segunda faixa do álbum é “Irmãs”, que parece uma confissão de infância. A música traz uma intensidade desde a sonoridade até a voz de Salma (que também assina a letra) na qual é descrita uma projeção feita entre irmãs. É aqui também o momento do álbum em que a compositora traz outras temáticas femininas, a busca pela feminilidade imposta pela sociedade que acompanha as mulheres desde a infância e a necessidade de assim se mostrar. As temáticas femininas de “Tônus” parecem mais de dentro para fora. De certa forma, “Irmãs” parece expressar uma dor, como quando se revela algo que estava guardado por muito tempo.

Show de lançamento de “Tônus” no CCSP. Foto: Filipa Andreia

A sensualidade do álbum está predominante em alguns toques no instrumental, mas ela se mostra em sua totalidade em “Amor Distrai (Durin)” que fala abertamente sobre sexo: “Porque eu só gozo assim/ Em alto e bom som”, repete diversas vezes Salma. A canção posterior “Brincadeira” também possui um tom de sensualidade experienciados no instrumental. A música possui uma das letras do álbum que não consegui ter uma interpretação que aliás não tem a assinatura de Salma, é uma parceria de Macloys com Dinho, vocalista da banda Boogarins que também colaborou com “Durin”.

Já a doçura do álbum se mostra em “Já Passou” na qual a letra expressa a cumplicidade dentro de um relacionamento juntamente com violão igualmente doce gravado pelo Macloys, com som de pássaros ao fundo. “Tônus”, canção que dá nome a obra, traz uma melodia mais alegre, que na primeira vez que ouvi me deu vontade de ir à praia, tomar um sol ou simplesmente pegar um carro e sair dirigindo por aí sem destino.

“Ossos” e “Besta” também trazem o tom amargo e arisco do disco. “Os cachorros dos outros não são tão divertidos/ Já os nossos ex são todos iguais/ Quase todos os pais vão direto pro inferno/ E muito poucas mães não são santas normais”, canta Salma quase que sussurrando.

A sensualidade se mistura a amargura em “Nova Nova”, única música do álbum que utiliza samples e teve baixo e baterias editadas. O fechamento da obra é feito com “Golpista” música que traz uma certa ansiedade nos versos e é talvez uma das mais fortes, principalmente no que diz respeito ao instrumental que vai crescendo no decorrer da música. Tônus era o disco que a banda precisava para se firmar de vez na cena de artistas independentes nacionais.

 

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Lana Oliveira

Goiana do interior. Sempre se interessou por comunicação. Formada em jornalismo e com alguns cursos de marketing no currículo. Viciada em música e nas sensações que ela transmite.

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