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“É possível que quem se interessou no nosso trabalho por causa da pauta feminista não goste tanto do novo”, afirma Salma

Em entrevista, Salma revelou para a Escuta as sensações e experiências com a nova obra

Prestes a lançar o terceiro e novo álbum Tônus no dia 17 de julho, Salma abriu um espaço na agenda e respondeu atenciosamente algumas perguntas que enviamos por e-mail na tarde do dia 19 de junho. O lançamento promete ser uma nova fase na trajetória da banda, que completa cinco anos desde o primeiro trabalho, o EP Dos Namorados (2013).

Na entrevista, Salma fez observações sobre estar em fase de transição entre um disco e outro, principalmente no que diz respeito à percepção da base do público que criaram com os outros dois, Carne Doce (2014) e Princesa (2016), em especial o segundo. Além disso, Salma deu detalhes sobre o processo de criação e produção da obra do terceiro álbum. Confere aí!

“Princesa” teve grande receptividade com relação às letras, principalmente do público feminino. Vocês acham que é difícil criar uma boa receptividade do público referente às mudanças entre um trabalho e outro?
É possível que quem se interessou no nosso trabalho por causa da pauta feminista não goste tanto do novo trabalho. Mas quem se interessou pela nossa música porque gosta da nossa estética, das nossas letras e arranjos, vai perceber que nós ainda continuamos muito Carne Doce. Eu sinto que atualmente essa receptividade dos fãs é sempre pela melhor expectativa, é exaltação pura, daí uns comentários até comuns do tipo “primeiro a gente enaltece e depois a gente ouve”, sobre um lançamento qualquer. Mas não basta esse voto de confiança total dos fãs, se eles honestamente não se emocionarem com a música isso vai transparecer.

A sensação de estar lançando um novo álbum mudou entre um trabalho e outro no caso da Carne Doce?
Sim, em cada momento são promessas e desafios profissionais um pouco diferentes. O frio na barriga é o mesmo porque a missão de emocionar é difícil e incerta, mas a visão estratégica como artistas independentes muda. Estamos mais maduros, ralamos e aprendemos muita coisa na ralação, temos os pés no chão e nos conhecemos melhor como grupo e projeto. No primeiro disco a meta é aparecer, ser uma bomba; no segundo disco é mostrar que você sabe continuar botando fogo, que merece jogar esse jogo; o terceiro é uma promessa de continuidade criativa, é uma tentativa de manter essa promessa de futuro permanente.

Como foi criar o projeto desse novo álbum, vocês tinham um conceito em mente ou os arranjos e letras foram surgindo com o tempo e se complementando e encaixando? Houveram momentos difíceis com bloqueios criativos?
Sim, tenho bloqueios com as letras aqui e ali e, conforme o nosso trabalho aumentou desde o Princesa, nós também passamos a ter bem menos tempo de ócio criativo. Não pensamos num conceito. As canções foram surgindo e trabalhadas individualmente. Mas acaba que por surgirem na mesma época elas naturalmente compartilham alguns conceitos.

Vocês tiveram grandes inspirações de outros artistas nesse trabalho?
Diretamente, na composição, não. Estamos sempre observado outros artistas, mas não a esse ponto de tomar como referência inspiradora.

Onde buscaram inspiração para a parte visual do álbum, como a capa e o vídeo de Nova Nova?
Eu vi uma foto no Instagram de uma moça que usou a mesma técnica. Ela se fotografou de meia-calça branca, na luz negra e depois usou o filtro preto e branco. Fiquei com esse efeito na cabeça. Comprei a meia, busquei mais coisas para compor, arrumei o carretel e fizemos o ensaio e o que apareceu no resultado não só era muito bonito, mas parecia dialogar com as letras também.

Qual é o sentimento agora, após ter finalizado essa parte de produção? Que é de fato árdua.
Um pouco de alívio, e bastante orgulho, sentimos que fizemos nosso melhor, e essa já é uma sensação de vitória. Mas estamos ansiosos demais com a expectativa do lançamento e da recepção das pessoas.

Qual legado vocês acreditam que a Carne Doce deixará no cenário independente da música brasileira?
Não sei se deixaremos um. Mas é disso também que trata esse terceiro disco.

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Lana Oliveira

Goiana do interior. Sempre se interessou por comunicação. Formada em jornalismo e com alguns cursos de marketing no currículo. Viciada em música e nas sensações que ela transmite.

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