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ENTREVISTA! Humbold e o rock de Brasília

A galera da banda nos contou um pouco sobre como se tornou difícil viver da música no Brasil

— por BIANCA MARTINS

A Humbold vem dando as caras em vários festivais na cidade, e nós da ESCUTA, fomos atrás dessa galera pra saber a real da cena local. Confira o som que Guilherme de Paula, na voz e na guitarra, Guilherme Breda na guitarra e no backing vocal, Lorena Lima no baixo e Matheus Motta na bateria, constroem:

Trocamos uma ideia sobre processo criativo, viver da arte e momentos marcantes da banda, CONFIRA:

1) Vocês estão juntos desde 2015, qual vocês consideram ser a maior evolução musical da banda nesses três anos de formação, entre o primeiro e o terceiro EP?

Resposta: Acho que nossa percepção sobre nós mesmos mudou muito. Sobre cada um entender melhor seu espaço e, principalmente, sobre sermos capazes de nos comunicar melhor. Individualmente, cada um de nós vai mudando bastante ao longo do tempo e isso faz parte do amadurecimento da banda.

2) Todos da banda tem algum job além da música? (Quem tem: o que realmente os impede de viver somente da música, e o que vocês acham que deveria ser diferente para o reconhecimento real do trabalho artístico?). Trabalhar em outras funções os ajudam com a música (na composição e estruturação das canções?)

Resposta: Todos nós temos outros trabalhos. Acho que existe um pouco de deslumbramento em achar que dá pra viver só de música. Mesmo quem consegue, na cena independente, faz um milhão de outros jobs pra se manter.

Por outro lado, precificar arte é um negócio extremamente difícil e subjetivo. Você precifica muitas vezes com base na raridade e no meio no qual a expressão se apresenta. É por isso que um quadro do Picasso é caríssimo: a versão original dele é única. A música, por outro lado, é extremamente abundante, e o streaming e a internet tornaram tudo absolutamente fácil. A gente já fala hoje em dia sobre como era difícil na época em que baixava música no Kazaa, Limewire ou torrent, mas mesmo no inicio dos anos 2000 a coisa já era infinitamente mais simples que 10 anos antes. Se a oferta da arte aumenta, o preço cai – e com isso, nossa percepção sobre música muda. Ela para de ser o centro para ser background, ser trilha sonora de outras coisas que quisermos fazer, como malhar, correr, transar, enfim. O problema é quanto essa forma de consumir começar a ditar a forma como se produz música, tornando-a mais diluída e inofensiva, mas divago.

“Sendo bem sincera com você, existe uma grande desvalorização do profissional artístico no Brasil, e fora também. A maioria dos trabalhos não são pagos, e quando são dá o dinheiro do almoço pra uma semana kkkkkkk.” Lorena Lima (baixista – Humbold)

Voltando à pergunta, acho que ter vivências profissionais diferentes ajuda, sim. Do ponto de vista de grana, ajuda a gente a se manter. Do ponto de vista criativo, nos ajuda a pensar um pouco fora da caixinha da música – que pode ser uma bolha tão ou mais fechada que qualquer outra. Além disso, nos ajuda a lidar com a banda de uma perspectiva mais objetiva, sem egos no meio do caminho.

Foto por Marcella Lasneaux

3) A nova música de trabalho “Longe de Casa” tem um ar romântico-melancólico, mas carregado de uma mensagem de esperança e coragem em relação ao futuro. E vocês, o quanto estão esperançosos como futuro da banda, é algo que vocês pensam sobre?

Resposta: Sempre pensamos, sim. Ter uma banda é sempre pensar no futuro. O processo de produção é um martírio porque você passa anos entre composição, arranjo, ensaio, produção e gravação pra sua música ser consumida em 5 minutos e se funcionar, ótimo, se não, já era. É sempre um exercício de olhar pra frente e não perder o referencial.

Dito isso, sempre fomos muito esperançosos com a banda. Estamos no início de um novo momento, com a entrada do Matheus na bateria, o Anderson agora toca na MDNGHT MDNGHT, desde janeiro. É muito trabalho, mas a esperança sempre resiste.

A entrada do Matheus tem sido muito empolgante, ele trouxe novas referências, bem diferentes das que o Anderson tinha, e isso tem mudado a cara da banda. Lorena Lima (baixista – Humbold)

Foto por Jimmy Lima

4) Vocês têm estado presentes em vários festivais locais, qual deles foi o show mais marcante, um momento realmente especial pra vocês enquanto banda?

Resposta: Pessoalmente, diria que foram dois shows. O primeiro, na nossa estreia, em 2016, e nosso último no Brasília Capital Moto Week, que foi uma espécie de refundação da banda. Foi o primeiro grande show com o Matheus e veio num momento muito especial pra gente, foi irado, a anergia, a recepção da galera…foi muito incível! (Hahahaha)

“Eu sempre comento de um momento que foi realmente especial pra nós enquanto banda, que foi O Ritual, um evento que nós mesmos produzimos, levantamos toda a estrutura, fizemos uma cenografia incrível, a galera toda se entrosou e foi muito legal trabalhar com o pessoal da Ameno e da Metamônica, mas foi sensacional poder estar com esse pessoal e poder conviver com pensamentos e percepções diferentes.” comentou, Lorena .

5) Como funciona o processo criativo da banda e qual a principal fonte de inspiração das suas composições?

Resposta: Normalmente, o embrião das ideias surge nos ensaios, com jams. Depois, o Guilherme de Paula (vocal) costuma levar pra casa, estruturar como uma canção e levar a ideia mais madura pra banda discutir. Com algo mais concreto, fica mais fácil tomar decisões sobre arranjos, timbres e sobre o conceito geral.

Os temas costumam ser bem pessoais, mas sempre tem alguma ideia maior que norteia tudo, um contexto maior. Guilherme conta que sempre gostou de obras que recompensam o ouvinte que mergulha nelas, com referências cruzadas e temas que se tocam, pois acredita que isso enriquece muito a experiência do ouvinte.

“Os únicos temas que costumo evitar são aqueles referentes a discussões políticas, porque acho que é muito difícil escrever algo sem soar panfletário, simplificando assuntos que tem várias nuances e se posicionando num local que não é o seu pra ocupar. Tem que ter muito cuidado sobre como se posicionar nesses assuntos, mas nada é tabu.”  destacou Guilherme de Paula

 

O som da Humbold você encontra disponível no Spotify e no Youtube.

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