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EXCLUSIVA! Erudite Stoner: música instrumental de múltiplas influências

Batemos um papo com Matheus Novaes, o "one man band" do projeto

O fato de não colocar uma voz como complemento a obra não é um problema para Matheus Novaes, mentor “one man band” do projeto instrumental de Santos (SP) com múltiplas influências. O Erudite Stoner surgiu como hobby na vida do analista de sistemas, mas é notável, não só por um público brasileiro, mas também do exterior, fronteiras as quais a internet rompe. Sobre a notabilidade da música instrumental, Novaes acredita que existe um público diversificado, mas que a divulgação do estilo ainda não é suficiente. “Existem diversos gêneros de música instrumental e acredito que todos tenham seu público fiel, mas acredito que exista um bloqueio por grande parte da população, pois é algo que não está em evidência nas mídias, falta oportunidade”, assimila.

O debut homônimo é de 2015, e possui nove faixas. A obra tem passagens mais lentas e outras que demonstram maior urgência, com tons mais sombrios, mais introspectivos, como a faixa que ganhou um vídeo, institulada “There is no Home”:

A direção do vídeo é de Babi Bertagnoli.

Matheus acredita que o primeiro lançamento foi mais entendível pelo público do que o segundo, que recebeu o nome de Artistic Ghost. “Talvez por não ter um gênero específico é mais difícil definir um público, mas percebi que consegui atingir um público bem diversificado, principalmente com o primeiro álbum que é um álbum mais fácil assimilação”, acredita. A mistura de influências é uma das coisas que mais chamam atenção no projeto que se inspira em diversos gêneros musicais, desde o shoegaze, post-rock ao doom e black metal. Com tudo isso, se criou um som com uma identidade marcante, perceptível em ambos os dois lançamentos.

Confira nosso papo na íntegra com o Matheus Novaes e não esquece de conferir o som ao final do post:

Quando ocorreu seu encontro com o violão erudito?

Meu encontro com o violão erudito foi na adolescência, foi um período importante, onde despertou meu interesse por música instrumental e adquiri um boa base técnica que eu utilizo até hoje.

Seu projeto traz diversas influências de gêneros musicais, como você acha que tem sido a recepção do público desde a criação e a essa mistura? 

Talvez por não ter um gênero específico é mais difícil definir um público, mas percebi que consegui atingir um público bem diversificado, principalmente com o primeiro álbum que é um álbum mais fácil assimilação.

Como você acha que a música instrumental é vista/aceita hoje no Brasil? 

Existem diversos gêneros de música instrumental e acredito que todos tenham seu público fiel, mas acredito que exista um bloqueio por grande parte da população pois é algo que não está em evidência nas mídias, falta oportunidade.

Como é ser banda de um cara só? O processo criativo é mais fluido ou você sente falta de companhia na hora de criar?

Ter um projeto solo exige bastante, além de compor, gravar, você fica responsável por todas as atividades como a divulgação. Eu não sinto falta de companhia para compor, mas acredito que a experiência com outros músicos seria algo interessante.

O que costuma te inspirar nas composições? Na música instrumental me ocorre a aparência de que o compositor tenta transportar o ouvinte a alguma sensação ou lugar e acho isso curioso. O que você denominaria como inspiração no primeiro e segundo trabalho?

A inspiração para mim é um conjunto de muitos fatores, principalmente do momento que estou vivendo e das minhas influências, por isso estou sempre atrás de consumir alguma forma de cultura, assistindo filmes, comprando discos e indo a shows, recitais. Não tento transportar o ouvinte a algum lugar ou sensação, se isso ocorre é de forma despretensiosa, minhas composições surgem dos meus momentos de introspecção. Fico feliz quando alguém se identifica com as minhas composições e as curtem na sua maneira, acredito que essa seja uma qualidade da música instrumental. As principais influências no primeiro trabalho foram de post-rock e trilhas sonoras, artistas como Alcest e Gustavo Santaolalla. No segundo trabalho tive bastante influência de filmes, três músicas foram compostas tendo como inspiração filmes do Bergman, Fassbinder e Luiz Sérgio Person e musicalmente as influências foram de Castelnuovo Tedesco, Carlo Domeniconi, Leo Brouwer, Syd Barrett, Sun Kil Moon, drone music e black metal.

Você cita muitas inspirações de artistas de fora do Brasil para o seu trabalho. Tem algum artista brasileiro que você tem como um modelo ou que você recomendaria para quem curte seu som?

Eu tenho bastante influência de música brasileira, principalmente no violão, a cultura do violão no Brasil é muito forte. Tenho escutado os trabalhos do Nelson Angelo, gosto bastante do álbum Satwa do Lula Côrtes & Lailson. Voltando ao erudito, não tem como não citar os estudos e prelúdios para violão composto pelo Heitor Villa-Lobos.

Pensa em, futuramente, embarcar em um novo projeto ou pretende seguir com o Erudite Stoner?

Pretendo trabalhar em outro projeto que seja diferente do Erudite Stoner.


Agora ESCUTA na íntegra o Erudite Stoner e o Artistic Ghost.

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Lana Oliveira

Goiana do interior. Sempre se interessou por comunicação. Formada em jornalismo e com alguns cursos de marketing no currículo. Viciada em música e nas sensações que ela transmite.

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