GULAG TUNES

GULAG TUNES #2 Num Indo e Vindo Infinito

Já conhece Paulo Matricó, Banda Escopo, Sangranu HC e Deley Jones?

Este texto baseia-se numa investigação abrangente, com objetivo de entender artistas catalizadores, aqueles cujo a vida vem em ondas como um mar. Artistas migrantes que espalham o Brasil com coração e alma, num indo e vindo infinito.

No exercício de hoje a Gulag Tunes pede para você filosofar nas razões que levam artistas de todas as regiões e classes sociais do país a entrar em um avião ou navio e atravessar o atlântico, não só em busca de experiências culturais e de conhecimento. Parar e pensar o artista brasileiro que busca uma oportunidade laboral, uma alternativa com redes de sociabilidade e um projeto de vida.

Partindo desta evidência empírica, o presente texto propõe essa reflexão, reforçando a necessidade de levar em consideração as circunstâncias e situações sociais das personagens que são referência para este vos escreve. Saber que aqui não está evidenciado as condições institucionais alocadas, os fenômenos discriminatórios sofridos e as trajetórias inclusivas ou exclusivas trilhadas por cada um desse indivíduos com os quais troquei ideias.

Paulo Matricó

A experiência de um músico que vive, atua e circula numa pequena área central da cidade de Lisboa, no Bairro Alto, e com seu cordel transforma a paisagem sonora mais emblemática desta área turística da cidade.

A Música, a par de outras expressões culturais, constitui um importantíssimo pilar da nossa sociedade. É dos componentes mais representativos e estruturantes da nossa identidade cultural. Infelizmente as improbabilidades da vida e do tempo, me impedem de representar o esse novo amigo na levada do Cordel. Esse pernambucano de Tabira, não tem uma história, tem um poema em forma de vida. Ouvir um pedacinho da trajetória da vida deste Paulo, sentados numa fonte com mais de 300 anos, me levou para universos encantadores e surreais.

Pra gente, tudo vai começar no final dos anos oitenta com o Trio Matricó, poesia no coração e na bagagem artística a história do sertão. Criado no meio de repentistas, cantadores e forrozeiros, Paulo Matricó herdou do pai e de outros menestréis da cantoria a arte de contar histórias simples com o apuro de métrica e a graciosidade do repente popular. O nome Matricó, significa “Pai do fogo” em linguagem indígena.

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O primeiro CD, “Outro Verso”, saiu em 1995. em 99 nasce, “Maria Pereira”, lançado na Alemanha, em parceria com o compositor alemão Stephan Maria. Paulo residiu e trabalhou por 2 anos em solo germânico. Em 2007 voltou para a Europa participar de importante festival de cultura brasileira, nas cidades de Madrid e Sevilla.
Seu mais recente trabalho é o musical Cordel Operístico Lua Alegria, esse espetáculo, provavelmente será apresentado na cidade irmã da pernambucana Tabira, a portuguesa Tavira, já pré aprovou a participação na feira do livro que acontece durante o verão.

Na rua, nas incertezas dos palcos da vida, o músico segue adaptando-se, seguindo o movimento do barco que decidiu navegar. O sorriso tem que voltar e o sertanejo tem que considerar que aqui é muito diferente do seu lugar, aqui é difícil ter calor, apesar de todo esse calor!

Desviando das falsas incertezas da vida de cordelista pelas praças de Lisboa, Paulo Matricó, que tem 10 álbuns na bagagem, prepara-se para dar aquele pulo na ale manha e analisar o cenário na rua, ainda não sabe se viaja a Europa tocando na rua com algum projeto paralelo, junto com outros músicos de rua da cena lisboeta. Certo é que toca dia 8 de junho numa festa no cube da policia federal de Goiânia, depois mata a saudade de casa e volta para Portugal em julho, para dar continuidade a sua saga de repentista no velho continente.

Do outro lado dessa enorme moeda chamada oceano… hehhehehe…oi… num fode… retoma o foco…

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Banda Escopo

No lado brasileiro do oceano, Londrina segue tentando navegar no seu karma eterno. Acorrentada pelos anseios e ambições individuais, a cidade segue na luta para se re-invetar artisticamente sem sair da bolha. Poucos percebem esses movimentos, três personagens com o mesmo sentimento. É bom deixar bem claro, que não se trata de Brasil Ame-o ou Deixe-o. Mais sempre será sobre sair da bolha. 🙂

Thiago Ponti o vocalista faz mestrado em Filosofia e ja viveu em Lisboa. Não como artista, mais como estudante e hoje pondera sobre um possível carreira artística em terras portuguesas. A Banda Escopo sofre o básico da cena londrinense… Não tem lugar pra tocar, não tem evento e não pode marcar tour, porque conflita com a agenda da banda cover que é o que da dinheiro. Do jeito que tá fica muito difícil a banda sair do lugar, e isso é culpa da própria banda, mas ok. Não falta vontade e empenho pra tentar mudar isso e esse é o ponto que faz Thiago cogitar a possibilidade de vir para Portugal com a banda.

A simples possibilidade de poder fazer música autoral e viver dela. Algo quase impensável para a realidade vivida pela banda, o desejo maior dos músicos de viver outra realidade, de poder saber que sim, era necessário reverbera pelas sombras da cidade. Enquanto isso a banda participa de uma coletânea com outras bandas da cidade e disponibiliza seu audio nas plataformas e youtube.

Sangranu HC

Não muito longe dali na pequena Sertanópolis a banda vai escrevendo sua história no norte paranaense, transitando numa realidade similar a da Banda escopo, o também tatuador Eric Coutinho anseia fugir do vórtice incerto da bolha que sempre esteve na cena da região. Eric, tem vasta experiencia artística, que vai do cinema, a fotografia, passando por design e artes plásticas. É um artista quase completo, que hoje devido todas incertezas da vida no Brasil, imagina e idealiza sua ascensão artística em terras estrangeiras, ja não se vê mais em idade para mais um ciclo de improbabilidade nas esperanças londrinenses. Eric vive o famoso, é arriscar e ver no que da… Talento pra acontecer esse artista brasileiro tem, em qualquer canto do mundo.

Deley Jones

Para fechar o time de artistas que planejam abandonar a bolha londrinense, Deley quer trilhar um caminho diferente. Multi instrumentista e compositor, o músico quer mostrar o seu lado artístico na sua essência. Com álbum recém lançado, Jones toca em 90% do disco percebendo que sua maneira de se expressar apresenta uma renovação da velha fórmula do rock. O musico consegue perceber a existência das peculiaridades de cada cena, mais acredita na maior abertura musical que o público europeu oferece. Um povo consumidor de arte, pode vir aceitar melhor a sua música, acredita o cantor.

Jones, assim como milhares de brasileiros, tem raízes europeias e pode solicitar documentação. Esse é um dos planos, o outro é divulgar o seu disco de estreia: Slave Queen. O álbum conta com dez faixas, todas elas escritas e compostas pelo músico, que também executou todas as linhas de guitarra, teclado, bateria, percussão, voz principal, grande parte dos backing vocals e baixo. Deley ainda se desdobrou para captar e mixar tudo. A única certeza do momento é que no máximo, no final de 2020, Deley Jones seja mais um brasileiro espalhando sua arte pelo velho continente.

E assim segue essa Gulag Tunes da vida, enquanto lutamos por educação e o direito de ter opinião e poder criar. Uma rede de artistas, nada desconhecidos, está sempre se movimentando e, por fim, internacionalizando a música e arte do nosso povo. Espalhando o underground do sul do mundo. Estes artistas, como o Cordelista que aqui está, ou Deley Jones e a Banda Escopo que aí estão, sentem essa presença significativa da dinâmica da cultura transnacional. Expandindo nossas fronteiras de alteridade cultural, social, política e econômica, tendo em conta as experiências migratórias de outros.

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Opium Jones

Opium Jones é um pirata que queima pontes e destrói miragens com frases que provocam visões e colisões. Uma alucinação de ácido, e por que não um desses mistérios da vida. É um cara loco e insano que ama a psicodelia da vida e vagar por aí. A única coisa que sabe com certeza, é que não sabe o que quer fazer. Escritor e poeta, usuário de drogas, faz som e uns filmes. Faz um monte de coisarada... Só seguir!

FALA AÊ!

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