GULAG TUNES

Gulag Tunes #3

O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos

 

Caminhando por ruas que lembram Curitiba percebo que a arte e o artista brasileiro são um estilo de vida… Chego nesse pensamento por que nessa publicação vou refletir sobre a música que chega a Portugal e Europa, através da imigração brasileira.

Minhas pesquisas, e conversas na noite e internet, demonstram que essa arte, passa, também, a ser produzida entre jovens imigrantes ou descendentes, por toda região metropolitana de Lisboa. No atual momento e contexto histórico, estão a formar-se redes de produtores e consumidores de arte brasileira e se estabelecem formas de sociabilidade nos bairros de Lisboa e dos municípios em seu entorno, onde vivem as populações de imigrantes e seus descendentes oriundos de todas as regiões do Brasil.

Aparentemente, esse evento está espalhando-se por todas as comunidades brasileiras do planeta, através das formas de expressão, da produção, da circulação e do consumo de samba, choro, reggae, rock, pop, FUNK, axé, forró…. tudo de arte brasileira…. Sério… Um Fato, não é só gringo que curte e consome arte brasileira nesse mundão. É por isso que essa Gulag apresenta uma espécie de análise reflexiva, de como se estabelecem sentidos compartilhados de identificação do artista e publico brasileiro pelo mundo… Acho que é isso… 🙂

Uma pesquisada rápida e o número de atrações brasileiras, agendadas para o verão… A banda, O Terno, tocou no último final de semana, no line up, do Nos Primavera Sound… Só pra você começar a ter uma ideia da diversidade de talentos e vozes que estão ajudando a enriquecer o cenário cultural da cidade. Mais não só dessa cidade, Lisboa. Tá muito na cara por aqui, mais isso é algo que tá acontecendo por todo a Europa.

E vamos agradecendo a senhora internet, que segue na resistência pra continuar sendo livre….

Aqui, somos gringos, refugiados ou imigrantes… Ainda é difícil responder algumas dúvidas. Mas, o fato é, que aqui, o público brasileiro tem a oportunidade de conhecer alguns artistas que vem para internacionalizar a cena musical das cidades. Artistas, que para muitos, sempre foi impossível ver no Brasil, causa dos conhecidos custos, e os famosos acasos do destino; Aqui o rolê é acessível para o público, logo, conseguimos, realizar o que nos impedem de fazer em nossa própria pátria.

Voltando….

De diferentes estados e regiões, alguns músicos e musicistas de nossas terras e ilhas, querem desempenhar um papel fundamental, como indicador e ferramenta de mudança, em terras estrangeiras. Irmãos que estão aproveitando todas as oportunidades que são ceifadas na nossa pátria amada.

Muitas tendências típicas podem ser observadas e investigadas a partir do estudo da música e das artes brasileiras. Afinal, mais do que o futebol, ela, a nossa música e arte, funcionam como nosso, maior marcador de identidade.

Independente de qualquer tensão que possa acontecer entre o individual e o coletivo, a música feita pelo ser humano nascido em terras brasilis reflete a população multiétnica que somos. Aquela que tem a sua base nos gêneros afro culturais, através de diversos estilos…. Samba, Choro, Forró, Rock and roll, Blues, Bossa Nova, Jazz, Pop, Techno (e a música eletrônica em geral) e hip hop, que estão entre os gêneros musicais do país mais reconhecidos internacionalmente, no momento.

Vale comentar que algumas formas de música popular brasileira têm ganhado audiência global.

Escravos africanos trouxeram suas tradições musicais, mais é fato que cada leva de imigrantes contribuiu para a miscigenação da nossa gente. Logo, nossa arte encanta esse planetinha situado na via láctea por que é muito moderna. Nossa música e arte, tem suas raízes ligadas à música negra e ao gospel, mas também existe a Oceania, América latina e outras culturas afro-americanas, assim como os elementos vindos da música europeia e indígena… E dos Estados Unidos, né… que investem para ter influência nas tradições musicais e na produção do Brasil, da Ucrânia, Irlanda, Escócia, Polônia, América latina… e nas comunidades judaicas, entre outras que fazem parte do nosso caldeirão natural de absorção de cultura dos povos…

É certo que o artista brasileiro sempre está no centro de um cenário cultural vibrante e, em cada uma, os estilos regionais florescem. Nas margens da internet a cena brasileira vai se espalhando e ramificando pelos grandes centros musicais do planeta, e não to falando só de lugares como Seattle, Nova Iorque, Londres, Sidney, Paris, Berlin e Tóquio, estou incluindo todas as capitais e cidades menores que têm produzido eventos com artistas de destacados estilos musicais brasileiros.

Portugal, um dos poucos países europeus onde a percepção sobre os imigrantes evoluiu, mais favoravelmente….

Nos últimos doze anos, de acordo com um relatório da OCDE, que considera o país uma “notável exceção”. A avaliação consta do relatório “Settling In 2018: Indicators of Immigrant Integration”, uma análise comparada detalhada sobre a integração dos imigrantes e a sua evolução ao longo do tempo, para todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da União Europeia, bem como países selecionados do G20.

De acordo com o relatório, cerca de metade dos cidadãos europeus não tem opinião sobre se os imigrantes tornam ou não o seu país um lugar melhor ou pior para viver, enquanto a outra metade se divide entre quem acredita nos benefícios e os que defendem os malefícios da imigração.

De maneira geral, o relatório diz que muitos países fizeram importantes melhorias na integração dos imigrantes e dos seus filhos, mas que continuam a existir muitos desafios e que o potencial que os imigrantes trazem continua desperdiçado….

(…) Isso faz de Portugal um dos poucos países que incentiva e apoia essa integração, não só, cultural com os brasileiros, e investe nela. Talvez um dos principais motivos (junto com o fator linguístico), para essa fuga de trabalhadores e artistas do Brasil, rumo a Europa, e principalmente pra cá, terra dos Xutos & Pontapés.

A história do povo do nosso país, se relaciona com vários aspectos sociais e culturais, com uma estrutura social caótica e imprevisível, cheia de aspectos étnicos e raciais, religiosos, linguísticos, de gênero, assim como aspectos sexuais. O desenvolvimento da música nacional atual, independentemente da África e da Europa, ou USA, tem sido um tema constante nas rodas de discussão sobre a história da música brasileira pelo mundo.

Por sorte, alguns de nós se alimentam de registros da era colonial, quando estilos, canções e instrumentos da África ocidental e do Oriente se mesclaram com as rodas da escravidão e das tribos nativas, para fazer tremer as tendas dos bandeirantes e ecoar nas estruturas do império.

A internet revela diariamente artistas que renovam a tradição folclórica distintamente tupiniquim, reconhecida e difundida, com novas técnicas musicais de exploração das possibilidades de instrumentos, objetos, sons e imagens que se tornam uma parte do mainstream da arte produzida por seres humanos, hoje.

Acredito que isso, acontece, talvez, por que, todos os estilos de arte e cultura são consumidos pelos brasileiros de todas as classes, gêneros e idades. Não importa, mais do que japonês ou chinês, a gente curte consumir coisas.

A princípio, o que esse século XXI apresenta para a maioria de nós, que estamos a fazer parte dessa história de migração e imigração, é que as práticas e relacionamentos com a arte e a informação, são possibilidades para percebermos alguns contornos sobre os ambivalentes processos de identificação dos brasileiros e os demais seres humanos.

A presença da denominada arte brasileira remete a uma identificação que passa pelo sentido de referência a um coletivo eticizado, mesmo que em circunstâncias específicas, e que envolve a família, a vizinhança e os amigos (E mais qualquer um que estiver passando pela rua). É como se a nossa arte e cultura se tornasse uma etno referência mimética dos significados da diáspora para os imigrantes brasileiros. Mas não única e nem mesmo em um único sentido. São vários estilos de vida, produção e consumo cultural, associados às múltiplas possibilidades de identificações situacionais e transversais.

É um conjunto de características mais ou menos similares nas práticas e discursos de um determinado conjunto de pessoas, marcado pela faixa etária aproximada, pelo envolvimento com a memória da imigração, pela experiência de distinção social, pelo fenótipo e pelas afinidades no uso de objetos e espaços comuns, nos gostos e nas práticas.

Imperceptivelmente parece que o artista brasileiro, mais propriamente o músico, tem se tornado uma possível referência de aproximação entre os jovens e adultos em Lisboa e Europa em geral, porque implica não só um público com um perfil social semelhante, que pode ser reconhecido pelos espaços que frequenta, pela gestualidade e pela indumentária, mas também porque é um estilo d vida cultural marcado por uma dinâmica de produção, circulação e consumo que não se confunde e não se reprime, não se restringe.

Temos esse estilo musical que surge caracterizado por um novo contexto tecnológico de produção, reprodução e difusão independentes de gravadoras e de distribuidoras, marcado pela circulação nuclear e centrípeta (que irradia de um grupo de amigos para uma rede maior e dali para grupos de amigos que vivem distantes), através de todas as plataformas de distribuição de arte e cultura, e dos apps de comunicação a nova arte brasileira que está sendo produzida, está chegando aos diferentes bairros, cidades e países, sem delimitação de fronteiras específicas, sem um mecanismo de controle comercial formal sobre sua circulação e consumo. Em Portugal, mais especificamente na Área Metropolitana de Lisboa, tal estilo torna-se uma expressão aglutinadora das sociabilidades entre os imigrantes e descendentes de imigrantes brasileiros e africanos, que passou a atrair em torno da música e da dança uma experiência de identificação coletiva e um senso de alteridade com relação a outros estilos.

As músicas ou estilos que circulam em Portugal, nas baladas e nos espaços de residência, podem se tornar signos diacríticos de reafirmação de identidades e diferenças num contexto pós-colonial complexo, o que não significa que eles sejam determinantes, invariáveis e fixos. Pelo contrário, tais experiências e expressões admitem diferentes e distintas formas de envolvimentos, como também de distanciamentos, que podem ser movidos pela ideia de origem, de classe, de geração, de gênero ou por outras formas de gosto ou estilo. De qualquer modo, aqui se estabelecem certas contradições com a persistência de discursos políticos e de apelo a nacionalismos e seu sentido englobante, sentimental e, quase sempre, ambíguo. O que permite filosofar sobre o que, mesmo situacionalmente e provisoriamente, através de reiterados contrastes sociais ou formas de expressão cultural, um “outro” se coloca aí insistentemente em evidência a perturbar a estabilidade dos consensos homogeneizadores… Vishe!

Hoje não vou sugerir um álbum ou músicas. O link hoje contém um documentário que todo brasileiro deveria ver, viver, refletir e se fazer libertar.

Ao final:

  • Ninguém sabe como o mundo vai estar daqui a cinquenta anos. Só sabemos de uma coisa, será totalmente diferente do que é hoje.

  • Alguém podia imaginar, quando acabou a guerra, que o mundo ia mudar tanto?

  • É uma reinvenção do mundo o que o desenvolvimento está fazendo.

  • Então a coisa mais importante para os brasileiros ( mundo a fora), presta atenção, no que eu to escrevendo…O mais importante é inventar o brasil que nós queremos…

https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=CjcBv5ZWyPU

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Opium Jones

Opium Jones é um pirata que queima pontes e destrói miragens com frases que provocam visões e colisões. Uma alucinação de ácido, e por que não um desses mistérios da vida. É um cara loco e insano que ama a psicodelia da vida e vagar por aí. A única coisa que sabe com certeza, é que não sabe o que quer fazer. Escritor e poeta, usuário de drogas, faz som e uns filmes. Faz um monte de coisarada... Só seguir!

FALA AÊ!

Tem a ver...

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