GULAG TUNES

Gulag Tunes #5 O verão brasileiro na Europa

Experiências além dos grandes festivais

É a primeira vez que passo o verão em Portugal, e já sei que todos os anos bandas, artistas e multidões de todos os cantos aparecem em terras lusitanas para uma exibição de idealismos e alegria. Também já posso dizer que a estação na terrinha é uma das mais adoráveis celebrações da música brasileira, e tá aqui um país, que como nós, não economiza quando faz uma festa.

Desde que cheguei me aventuro pela noite afora. E, descobri que Lisboa tem uma grande celebração não apenas da música, mas do potencial de uma comunidade de organizar seus recursos coletivos em algo de que todos podem se beneficiar – o público, os músicos, os negócios, a cidade e o país como um todo. De certa maneira, os brasileiros legais e ilegais estão movendo Portugal.

O ethos primordial, no entanto, é o que torna Lisboa interessante. Festivais de música – pensou em Tomorrowland e Glastonbury, né? – são uma parte tradicional do verão europeu. Mas a maioria desses festivais é altamente organizado e caro, e muitas vezes não passam de parques infantis para os jovens adultos e abastados, e não para a comunidade.

Por aqui, a ideia parece ser diferente e talvez mais democrática.

E me parece que a única regra – além da obrigatoriedade de pelo menos 2 artistas brasileiros por evento hahaha – é que todos os shows e eventos devem ser acessíveis para o público. E isso, sinceramente, é o que torna Portugal tão maravilhoso para quem gosta de música brasileira. Não só por causa da música em si; se você estiver andando pela cidade em qualquer altura do ano, provavelmente ouvirá uma banda ou músico mandando uma versão mediana de qualquer coisa sonora produzida em terras tupiniquins. Mas quem se importa?

Você está celebrando a acessibilidade na vida, e você está inevitavelmente cercado por um monte de outras pessoas que estão se divertindo. E isso só se torna mais divertido quando você percebe que há pessoas de todo o mundo experimentando a mesma coisa.

Vale dizer que essas celebrações incluem poesia e outras expressões artísticas. E, neste 2019, seguindo espírito local, tem edição grátis do Rock in Rio.

O que acontece em Portugal é algo especial para com a nossa música, e é mesmo difícil de colocar em palavras. Você pode assistir aos sorrisos no rosto de estranhos e turistas que não esperavam encontrar música brasileira ao vivo em cada esquina, enquanto lentamente descobrem o que está acontecendo. ..E todo mundo dança um pouco, mesmo que não seja do tipo dançarino.

Andar pelas ruas de Lisboa, dobrar uma esquina e ouvir notas tradicionais a encantar uma pequena multidão em uma praça em frente a uma fonte, virar em outra esquina e visualizar um mar de membros de uma audiência de meia-idade vibrando padrões folclóricos brasileiros… É uma experiência sensorial a parte.

Se tu fizer uma pesquisa rápida no line up dos principais festivais de música, você vai perceber que a participação de artistas nacionais no lineup é em essência, fundamental em cada um dos eventos, pois o verão português é sobre celebrar talentos brasileiros (e portugueses), independentemente do gênero.

Isso significa que as estrelas internacionais de dance music, os favoritos do pop moderno e do bom e velho rock and roll, se esquecer do RAP, estão ao lado de proponentes de sons brasileiros mais tradicionais, do sertanejo com raízes no interior do Brasil no início do século 20, ao axé inspirado no Afro-Carribean da região da Bahia.

Embora os nomes possam não soar demais para os que estão fora do Brasil, ou países de língua portuguesa, os lineups exibem regularmente os maiores artistas de suas respectivas cenas.

Por aqui, o brasileiro comum, financeiramente falando, consegue, ao mesmo tempo em que aproveita o sol com um coquetel na mão (Bacardi Limonade, alguém?) curtir um oásis de cultura latina e caribenha dentro da loucura dos festivais, com atrações como Rubel, Baiana System, Rincon Sapiência e Boogarins.

No começo de verão lusitano o que me parece é que, Portugal alimenta-se da cultura brasileira contemporânea, numa celebração que parece incorporar um idealismo quase desatualizado em 2019, participar é uma boa maneira de se convencer de que a arte é para todos, e que é vital para uma visão humanista do mundo.

Na lista de candidatos aos melhores álbuns de 2019, no que ao rap feito em português diz respeito (rs): Black Alien, o veterano, passou por Portugal a 6 de Julho para apresentar ao vivo, no Village Underground Lisboa, o seu mais recente trabalho, Abaixo de Zero: Hello Hell.

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Opium Jones

Opium Jones é um pirata que queima pontes e destrói miragens com frases que provocam visões e colisões. Uma alucinação de ácido, e por que não um desses mistérios da vida. É um cara loco e insano que ama a psicodelia da vida e vagar por aí. A única coisa que sabe com certeza, é que não sabe o que quer fazer. Escritor e poeta, usuário de drogas, faz som e uns filmes. Faz um monte de coisarada... Só seguir!

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