GULAG TUNES

Gulag Tunes #Pride

Orgulho e Preconceito

Julho marca o mês do orgulho LGBTI+, com milhares de pessoas em todo o mundo vibrando a favor da liberdade sexual e da igualdade de direitos. Em 2019, no dia 22 de junho, peguei meu bom vinho e os aditivos e marchei rumo a Pride -Lisboa. Os concertos, que começaram às 16h do sábado, com DJs de prestigio mundial, contaram com a participação de Aurora Pinho, Sonja, e Johnny Hooker como atração principal.

Considerado como o mês do orgulho, com várias capitais a organizarem marchas, arraiais e festivais em comemorações a favor da igualdade e da defesa da liberdade na orientação sexual e identidade de gênero. Berlim, Bucareste, São Paulo, Santiago e Nápoles são algumas das cidades que tem comemorações mundialmente famosas.

Lisboa recebeu do músico brasileiro um show com boa performance e músicas entre palavras de ordem… E foi entre um gole na garrafa de vinho e uma fala contra o desgoverno miliciano que anda saqueando o Brasil com traficantes do exercito, que me veio o pensamento. Depois de tudo, e com tudo isso que anda acontecendo*, talvez nós não devêssemos estar em uma celebração, mas sim num mega protesto mundial.

O que se vê são os líderes das festas Pride, de todo o mundo, buscando clareza e reexaminando sua própria história mais de perto. Em 1970, o movimento Pride começou como uma comemoração dos motins de Stonewall de junho de 1969. A primeira celebração anual começou em Washington em 1975 com um festival de rua iniciado por Deacon Maccubbin, dono da livraria Lambda Rising. Não podemos esquecer de que nossos eventos nasceram em protesto. O simples ato de ser visível tem sido, desde o início, uma declaração política, e a união de qualquer evento representa uma forma de protesto contra aqueles que nos negam nossos direitos – ou, para alguns, nossa própria existência. Isso permanece verdadeiro hoje, e tão forte e perigoso, quanto nos anos 70. Nós temos que saber que é o atual clima e cenário político no mundo de hoje, e eles estão contra nós, mais raivosos do que nunca.

Os resultados das ultimas eleições pela Europa, e continente americano foram um lembrete chocante de que os ganhos surpreendentes que nossa comunidade fez nos últimos anos não devem ser dados como garantidos – e que, para muitos de nós, o direito ao casamento não é necessariamente a prioridade mais urgente em nossos movimentos. Luta pela igualdade total. À medida que o clima muda, as nossas estratégias e táticas devem ser também um movimento. Devemos explorar ainda mais como as intersecções de nossa orientação sexual e identidade de gênero, raça e etnia, idade e classe social, e inúmeras outras questões impactam nossas experiências como membros da comunidade LGBTQI+ e na sociedade como um todo.

No meio da pira do show da Aurora Pinho, lembrei que o Pride Toronto ficou do lado da Black Lives Matter e votou pela proibição de carros alegóricos da polícia em seu desfile, o que desencadeou um debate furioso sobre o propósito do festival.

2019 talvez seja isso, um megaprotesto que na verdade é uma celebração gay… Pode ser as duas coisas? Fato é que algumas pessoas dizem que os eventos da Pride se tornaram muito corporativos, muito comemorativos, não inclusivos o suficiente, e não sobre lutar pelos direitos das pessoas LGBTQI+.

Mais do que uma festa com muita música e amor, a Pride deve trabalhar para recuperar nossas raízes e se concentrar no protesto e no progresso. Aqui em Lisboa eu não senti o espírito de alegria extática, amor e reunião que muitas vezes eu senti em grandes desfiles do orgulho de anos atrás.

Foi um festival de música com DJs de alto nível, Johnny Hooker e outras atrações domésticas, e lógico a realeza drag queen local.

Foi um daqueles bons e pequenos momentos com que você se depara durante o fim de semana da Pride com pessoas fantasiadas de unicórnios, roupas multicoloridos e tinta corporal reluzente.

  • 2019 e o mundo totalmente errado e torto. O sistema agoniza e se reinventa rindo da inércia popular. Não existe um pedaço de terra nesse planeta**, que siga um sistema de governo, de qualquer ideal ou ideologia, que seja 100% seguro para um ser humano LGBTQI+.

**Excluí dessa linha de raciocínio, sociedades anarquistas e zonas autônomas independentes.

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Opium Jones

Opium Jones é um pirata que queima pontes e destrói miragens com frases que provocam visões e colisões. Uma alucinação de ácido, e por que não um desses mistérios da vida. É um cara loco e insano que ama a psicodelia da vida e vagar por aí. A única coisa que sabe com certeza, é que não sabe o que quer fazer. Escritor e poeta, usuário de drogas, faz som e uns filmes. Faz um monte de coisarada... Só seguir!

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