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Lâmmia: representante de peso da cena carioca em debut

Músicos já experientes na cena acertam na estreia

Olá, orelhas! Neste fatídico dia, deixo aqui pra pra vocês uma resenha sobre uma banda que parece ter vindo das profundezas mais lamacentas do pântano do Doom da cena carioca. O Rio de Janeiro, que tem se mostrado um grande berço pra música pesada no Brasil, agraciando os amantes do heavy-psych-doom-stoner-sludge-blá blá blá com várias petardos só neste ano de 2018, vai marcar presença aqui na ESCUTA novamente.

O EP homônimo da Lâmmia saiu em 27 de abril de 2018, e foi um dos discos brasileiros que eu mais escutei na última semana. Formada em 2017, esse é seu registro de abertura, todo trabalhadinho em riffs lúgubres, naquela influência do hard rock setentista, músicos já com uma história e uma estrada construída na cena, e uma vocalista da porra.

E a bicha canta, viu, irmão.

A voz de Carmen Cunha é poderosíssima, tem uma presença marcante, uma vibe blueseira, e mescla muito bem com a sonoridade da banda no geral. Falo com tranquilidade que a voz dela é o que mais me atrai no disco até então.

No geral, todos os músicos da banda são bem experientes, calejados e tal, a guitarra (Dony Escbar, ex Matanza), como eu disse anteriormente, tem essa pegada mais ríspida e maciça que remete às bandas da década de setenta que segmentaram esse caminho pro doom/stoner ser o que é hoje. Fascina o fato dos riffs serem criativos e não atraírem toda a atenção para si, criando uma atmosfera quase que perfeita pra Carmen “atuar” com a voz.

Dentro do nicho doom/stoner é comum se deparar com bandas “riffocêntricas” (e isso não é necessariamente uma crítica ao gênero, apenas uma observação) que gastam o mesmo riff continuamente por dez minutos e Lâmmia não faz isso, o som é bem construído e bem pensado. Sua cozinha já tem nomes conhecidos pelo público também, com Jonas Cáffaro (também ex Matanza) na bateria e Luiz Gustavo (ex Getúlio Cortes) no baixo, fazendo aquela cadência e ajudando em toda a atmosfera.

Notei de leve aquela pegada Southern que era característica do Matanza, não com a mesma execução, claro, mas em certo grau. Agora eu não sei se isso existe mesmo ou se é algo que eu introjetei por saber que haviam ex integrantes da banda no Lâmmia. Fica aí o questionamento.

Enfim, no geral, um EP muito sólido com várias influências bacanas, músicos experientes, e que com certeza só tende a evoluir sonoramente. A banda tá com bastante moral, vai abrir pra estadunidense L7 dia primeiro de dezembro, no Circo Voador, fiquem ligados que vai ser um rolezão.

ESCUTA, rapaziada!

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Matheus Ferreira

24 anos, aspirante a psicólogo clínico, fã de lovecraft e tolkien, acompanha a movimentação da cena lamacenta underground do rock/metal nacional

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