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Rincon Sapiência lança PLACO, primeiro trampo do selo MGoma

Clipe e música detonam nova fase de Manicongo, com mais uma letra de dar nó na orelha

Subiu na sexta o novo clipe do mestre Rincon Sapiência com música produzida por Paiva, Lotto e Billy Billy. O vídeo gravado em Paraisópolis pela Ogiva Filmes celebra a chegada do selo próprio do conhecido Manicongo, certo? Placo (ou plaquê) é a história do dinheiro, melhor, do corre para se conquistar o que em nossos dias é item básico para sobrevivência. O som é resultado da aventura de Rincon pelo trapfunk.

Com a ajuda dos caras da NGKS Passinho do Maloca o clipe evidencia em meio à desigualdade da zona sul paulistana o corre diário para sobreviver, a vida e a sensação do pescoço na ponta da faca, começando pelos boletos querendo te engolir. Celebrando a consciência que denuncia a realidade que leva os pretos pra deprê e pra DP, que transforma escolas em cárceres e faz do chefe do beco igual ao Justus, a letra é prova da evolução poética do artista que vem trabalhando segregação, reforma urbana e distribuição de renda como ninguém. Tambores na rua movendo gente / Gera mais emprego que o presidente […] Eles amam o gueto, mas não vêm pro gueto / Por isso meu Uber deu 80 pila.

O filme dirigido por Gabriel Duarte, Felipe Vieira, Bernardo Calmon, Allex Deracco, Marina Murad e Maiara Izabele Del Pino traduz no grau a estética da periferia. A glitch art com sua despretensão emergente é a cara da favela, da comunidade e dos fios que lotam a rede elétrica. A coloração tropical é uma aplicação mais audaciosa até que o purple chapado dos Lils da vida. A tecnologia, seus bugs, os erros e arranhões, são o verdadeiro sufoco do gueto, que … é natural / Que nem o fedor no suvaco / Ninguém quer, não me leve a mal /
Nóis tamo no corre do placo.

PLACO
Rincon Sapiência

Okey
Vambora
Ai ai
Rincon Sapiência, conhecido também como Manicongo, certo? (Okey)
Vambora!

Barreira quem tá no barraco
O berro na mão do pilaco
Um suspeito, me destaco
Nem sempre é chute no vácuo
Sufoco do gueto é natural
Que nem o fedor no suvaco
Ninguém quer, não me leve a mal
Nóis tamo no corre do placo

Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo

Preciso compôr os meus cânticos
Eu vivo bem longe das árvores
Escolas parecem um cárcere
Bem-vindos à selva de mármore
Boletos querendo te engolir
O livro de regras eu nunca li
Levanto poeira que nem rally
Lutando na rua igual Jet Li
A renda da casa tá magra
Carteira tamanho é PP
É fácil ver preto de deprê
É fácil ver preto no DP
Um banho de ervas pra benzer
Não sei quando volto, babe
Na sede, nos deram a água
Que os pássaros não podem beber

Ninguém quer ver filme triste
Os menor quer ter uma XT (vruum)
Tambores na rua movendo gente
Gera mais emprego que o presidente

Barreira quem tá no barraco
O berro na mão do pilaco
Um suspeito me destaco
Nem sempre é chute no vácuo
Sufoco do gueto é natural
Que nem o fedor no suvaco
Ninguém quer, não me leve a mal
Nóis tamo no corre do placo

Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo

Motor é o corre do placo
Vapor é a moto sem placa
Licor é o drink no copo
Tambor que balança a jaca
Deu bom, cê deita na hidro
Deu ruim, cê deita na maca
É a vida e a sensação
Do pescoço na ponta da faca

Toda loja tem produto
Funcionários e os custos
Empresário que é chefe do beco
Não é diferente do Roberto Justus
Olha o lucro, tome um susto
Movimento, renda bruta
Talento que o Estado ignora
A conclusão: A rua recruta (ahn)
Preta rica, como Ludmilla
Degustando o verde como clorofila
Carregando prata, carregando ouro
E portando búzio pra não ter quizila
Vim de longe porque vim da vila
Não há tempo para o fim da fila
Eles amam o gueto, mas não vêm pro gueto
Por isso meu Uber deu 80 pila

Por isso que as moto chama no grau
Cabeça de nego não é degrau
Duvido eles não olhar pra gente
Tem brilho no ouro do meu pingente

Barreira quem tá no barraco
O berro na mão do pilaco
Um suspeito me destaco
Nem sempre é chute no vácuo
Sufoco do gueto é natural
Que nem o fedor no suvaco
Ninguém quer, não me leve a mal
Nóis tamo no corre do placo

Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo
Placo, placo, placo, placo

 

 

Ah. E pra constar, a pronúncia do selo MGOMA é emgoma.
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Fonte
Rolling StoneTodos Negros do MundoNação da MúsicaRevista Rap
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Qualquer

No rádio desde moleque pesquisa o universo da música e escuta de tudo. Em MG atuou em emissoras como Rádio Minas AM/FM, Onda, Nova, 96 e 94FM. Em Brasília passou por Transamérica Pop, OK/Metrópoles, Rádio JK e atualmente MIX FM. Escreveu para a Revista ShowBar e o Jornal O Popular. Produtor cultural desde 2010 com os festivais EcoMusic, Rua do Rock, DivinoRock, Grito Rock, Usina de Rima e Festa Nacional da Cerveja em MG. Estuda Artes e Audiovisual na UnB. Voz oficial da RadioMolotov.com

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