XANDÃO ROQUE

Máfia dos shows: As oligarquias da música brasileira

Conheça o submundo do show business nacional; das pequenas corrupções ao tráfico de influência

Raiva: Substantivo feminino inerente a musicistas e músicos brasileiros no ato do fechamento de seus shows ou no gerenciamento de suas carreiras.

Hoje quero levar até você uma reflexão sobre as frustrações que você deve passar até chegar nos grandes palcos do Brasil e do mundo. Para tanto, iremos começar explanando sobre práticas cometidas com os músicos emergentes.

Seja o queridinho

No meu texto anterior (se não leu, vá ler) eu falo sobre dificuldades de pequenos músicos. Agora iremos supor que você já passou da etapa de barzinhos, tem um show montado e quer estar presente em festivais legais da sua região. Então aí vai mais um spoiler da vida: Mais gente tem que querer junto com você.

É recorrente os casos em que o músico não consegue essa chance porque o produtor do evento tem interesses comerciais em outros artistas. Recentemente trabalhei como produtor em um megaevento onde vi um caso clássico a esse respeito: Eu trabalhava como produtor geral da festa e um amigo, cantor sertanejo, me pediu um espaço no palco dois do evento. Com muito custo, mas muito custo mesmo, eu consegui convencer o produtor responsável pelo palco sobre a capacidade desse meu amigo. Mas ao fecharmos a data já sabíamos que viria uma pedreira pela frente, haja visto que esse produtor do palco dois vendia os shows de todos os outros artistas que ali tocariam. Não deu outra… o boicote veio a galope. O cantor e sua banda fizeram uma viagem de quase uma hora e meia para estar na passagem de som durante a tarde, a passagem de som foi a mais demorada possível e na hora do show os técnicos de som do palco disseram que esqueceram de gravar a cena da mesa de som. Não bastasse isso, o show do rapaz foi reduzido a metade.

Nota fria, saia dessa gelada

Outra prática comum é o contratante ou produtor do evento, quando realizado por uma prefeitura ou outro órgão público, condicionar a participação do artista ao ato de emissão de uma nota fria, ou seja, a boa e velha corrupção. O músico é coagido a colocar na nota fiscal do show um valor bem superior ao real valor de seu cachê, daí a diferença vai parar no bolso do intermediário da contratação.

Lanchinho da turma do som

Agora quer ver um músico passar raiva de verdade é quando ele sobe para passar o som e o técnico de áudio pede um lanche, uma coca, um cigarro para que o som fique melhor. Não se engane, isso é código para grana, verdinha, bufunfa, capilé.

Muitas vezes a banda ainda não tem estrutura suficiente para conseguir levar consigo um técnico de som, então a alternativa é colocar em contrato que o produtor do evento deve ficar responsável por esse profissional. Resumo da situação: O cara está ganhando para estar ali a seu serviço e ainda quer tirar uma casquinha de você.

Como faz para acabar com isso? Simples, denuncie o mau funcionário para o patrão dele. Os donos das locadoras de som ficam pistolas com isso.

Coronelato do dendê

Vamos levar a questão agora para um nível nacional.

Faz-se um estereótipo de que os baianos são lentos, muitas vezes até lesados, mas os bichinhos são espertos que só. Veja:

É indiscutível que Caetano e Gil são grandes nomes da música brasileira, sendo até algumas vezes os nomes lembrados quando citam nossa música em outros países. Mas isso tem um bom motivo. É uma estrutura bem arquitetada.

Gilberto Gil, por exemplo, foi ministro da cultura entre 2003 e 2008 e pôde participar dos mais importantes processos culturais do pais, beneficiando sim aqueles que haviam beijado a sua mão.

Outro fato: Já reparou que vira e mexe tem música de Gil, Caetano, Gal ou Betânia em telenovelas da Rede Globo? E que quando estes estão meio sumidos é apenas nessa emissora que eles ressurgem? Não é atoa que eles defendem com tanto afinco a estatização da arrecadação de direitos autorais.

Não sei se você conhece a Associação Procure Saber, mas se não, então literalmente procure sobre. Essa associação criada por Paula Lavigne (sim, a ex esposa de Caetano – voialà) e encabeçada pela gangue do berimbau é a grande responsável por exportar os artistas nacionais para o mundo e projetar as suas carreiras. Eles conseguem fazer isso pois articulam bem com grandes contratantes de fora. O caso mais recente é da diva do pop, Anitta. Ou será que foi mera coincidência ela explodir internacionalmente logo após cantar com Caetano e Gil na abertura das Olimpíadas?.

Pois bem, veja na foto abaixo alguns dos artistas que integram a Procure Saber. Fica como dever de casa pesquisar sobre a estatização da arrecadação de direitos autorais. Salve!

 

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Xandão Roque

Músico, publicitário, produtor de eventos e vencedor do Open Innovation Entertainment 2018.

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