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Filipe Ret respondeu Sulicídio com o álbum “Audaz”, dois anos depois

"Ret arrotou, Don L matou"

Antes de 2016 eu tinha escutado muito pouca coisa do rapper Filipe Ret. A real é que eu não curtia muito o jeito dele cantar, os temas das músicas e não achava o flow do cara tão legal assim. Quando a divisora de águas Sulicídio saiu, fiquei encucado com um dos versos escancarados com o grito dos nordestinos:

Ret arrotou, Don L matou

 

Pra quem já leu alguma coisa minha aqui, não é novidade que eu sou fã do Don L. Por isso, esse verso teve um gostinho especial na época. Veja bem, com o sentimento revoltoso que a Sulicídio trouxe, uma vontade de mandar todo rapper do sudeste ir se foder, tava meio que todo mundo exaltando pra caralho os MCs do nordeste e de outros estados. Além disso, eu que não gostava (e pra ser bem sincero, mal conhecia) do trampo do Filipe Ret, fiquei bem feliz com essa gastação.

Como era esperado, alguns rappers revidaram o ataque dos nordestinos imediatamente. O Costa Gold mandou a abobalhada SulTáVivo e o Nocivo Shomon veio pesado com a Disscarrego (mas que também se perdia na própria defesa).

E o Ret nisso tudo?

 

O Ret ficou na dele, calado. Bom, o cara continuou soltando seus sons, mas não parou pra escrever diss nenhuma. Mas eu continuava encucado com o verso do Ret.

Com uma pesquisa básica, descobri que Diomedes Chinaski se referia especificamente a uma música do Funkera, com feat do Don L e do Filipe Ret, chamada Espírito Vândalo. Então, peço que você compare os versos dos dois nessa track, repara na letra e no flow. O Genius compilou a possível treta aqui.

Sim, deu para entender porque o Ret arrotou e o Don L matou, não é?

 

Audaz

Nesse ano, o Filipe Ret lançou “Audaz”, com 13 faixas, o terceiro álbum que encerra uma trilogia que passou por “Vivaz” (2012) e “Revel” (2015). Acontece aqui que a evolução do cara é nítida. Até pra falar de maconha o cara subiu um ou dois degraus, e entregou músicas mais experimentais, autorais e com um flow que, puta merda, que foda. Não por menos: pela primeira vez, ele produziu mais musicalmente o disco, junto com um time pesado de beatmakers.

A cultura de diss é do caralho, ela obriga os artistas a atingirem níveis cada vez maiores para responder, na música, uma treta que pode ou não ser pessoal. Porém, o que o Ret mostra é que as vezes é melhor esfregar na cara um trabalho inquestionável do que lançar uma música completamente esquecível.

Se essa foi a “resposta” definitiva do Ret a Sulicídio eu não sei, mas, para mim, o Ret fincou uma estaca no RAP BR mostrando que tem muito para mostrar para a crítica, para o público e para a cena. Agora, vai ser foda alguém dizer que suas linhas são só arrotos.

 

Ouça Audaz no Spotify.

 

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Natan Andrade Medeiros

Escritor de ficção científica e histórias de boteco, palpita nas horas vagas sobre música em todas as suas formas de vida (seja ela animal, vegetal ou mineral). Publicitário pela UnB e especialista em Mídias Sociais. Escreve contos e crônicas na publicação Simbiose, no Medium, desde 2016. Natan Andrade também está por trás dos podcasts da Escuta Que É Bom.

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