LANÇAMENTO

CRIOLO É HOMO?! Clipe de “Etérea” chega com gays, bis, lésbicas, trans e + no front

Do rap se aventurou na músicas latina e africana, no samba e agora chega chocando

Depois de reescrever músicas compostas há mais de 10 anos com termos machistas e transfóbicos, Criolo surpreende o público e a crítica com um trabalho totalmente inédito. Aventurando numa onda pop synth tropical produzida por Daniel Ganjaman o artista do Grajaú deixa o protagonismo do clipe por conta de coletivos LGBTQ+ que faz questão de dar visibilidade.

Na hotpage criada para o single estão os perfis das performers que representam diferentes organizações de defesa dos direitos humanos e da luta por dignidade.

Não é a primeira vez que Criolo nos oferece demonstrações de humildade, sensatez e humanidade. Como no caso de “Vasilhame” e “Breáco” regravadas na segunda versão para “Ainda Há Tempo” em 2016 e na famosa entrevista quando o apresentador lê um comentário que põe a sexualidade do artista em xeque.

A resposta foi a melhor possível…

Qual artista você pode citar que foi capaz de reescrever as próprias músicas?

Desde então e até por sua personalidade doce e a ausência de uma vida amorosa agitada, especula-se sobre a orientação de Criolo, que certamente está longe do rótulo de “quase hétero” e não carece explicações. Por outro lado não foi difícil encontrar entre os veículos que cobrem o RAP e a música nacional, menções de espanto e estranhamento. Tanto com a estética adotada, que já veio anunciada por um sorvetinho colorido, quanto pelo ritmo e o swingue da música que é “gay demais” para os fãs do Criolo Rapper.

Tá aí o motivo para sequer pensarmos que a produção tem foco no seu pinkmoney ou que o cantor “quer biscoito” (como se precisasse).

“Etérea” assim como “Boca de Lobo” é uma obra extremamente necessária para o Brasil que vivemos. Diante de tudo o que já sabemos e nem vale repetir e a ameaça de um futuro ainda mais desigual para nós pobres e marginalizados, Criolo e sua história não titubeiam em soltar versos pesados e um clipe fatalmente crítico como na hora de defender o direito de viver de pessoas em pleno séxulo XXI, não são aceitas por parte da sociedade.

Mas não pense que, por vir de cor de rosa e azul bebê, o mestre não soltaria suas certeiras análises da conjuntura nacional, como é sua missão de Crioulo Doido. A música já começa mirando os canalhas “quase héteros” que “ignoram amor por complexo”.

“É necessário quebrar os padrões
É necessário abrir discussões.”

Etérea

Criolo

Uma bala
Quase hétero
Etérea, massa, complexo
De não se entender
Um canalha
Quase hétero
Ignorar amor por complexo
Medo de nele se ver

É necessário quebrar os padrões
É necessário abrir discussões
Alento pra alma, amar sem portões
Amores aceitos sem imposições
Singulares, plural
Se te dói em ouvir, em mim dói no carnal

Mas se tem um jeito esse meu jeito de amar
Quem lhe dá o direito de vir me calar?
Eu sou todo amor, medo e dor, se erradicar
Feito o sol que ilumina a umidade suspensa do ar

Homo, homo, homo
Homo, homo, homo
Homo, homo, homo
Homo sapiens, errou

Homo, homo, homo
Homo, homo, homo
Homo, homo, homo
Homo sapiens, errou

E a pergunta do título representa a sagacidade do poeta que como HOMO SAPIENS assume seus erros e não se engana na auto-crítica. Nem se deixa enganar pelos quase.

FICHA TÉCNICA:  DIREÇÃO GIL INOUE e GABRIEL DIETRICH / DIREÇÃO CRIATIVA TINO MONETTI e PEDRO INOUE / CO-PRODUÇÃO DIETRICH.TV e OLOKO RECORDS / PÓS-PRODUÇÃO DIETRICH.TV / GRADING MARLA COLOUR GRADING / CASTING D’AVILLA e TINO MONETTI / PRODUÇÃO FANJO (@FANJOFANJO) / STYLING NILO CAPRIOLI (@NILINHO_) / BELEZA FELIPE RAMIREZ (@RAMIRONA)

PERFORMERS:
ÁKIRA AVALANX (Coletivo House of Avalanx)
D’AVILLA (Popporn/Festa Dando)
FEFA (Animalia)
FLIP (Coletivo Amem)
JUJU ZL (Batekoo)
KIARA (Batekoo)
TRANSÄLIEN (Marsha Trans e Coletividade Namíbia)
ZAILA (House of Zion)

E aí, o que você achou do novo trampo do Criolo?! Comente no FALAÊ!

 


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Felipe Qualquer

No rádio desde moleque pesquisa o universo da música e escuta de tudo. Em MG atuou nas emissoras Minas, Nova e 94FM. Em Brasília passou por Transamérica, Metrópoles, e MIX FM. Escreveu para a Revista ShowBar e Jornal O Popular. Produtor cultural desde 2010 com os festivais EcoMusic, Rua do Rock, Usina de Rima, Grito Rock e Festa Nacional da Cerveja. Estuda Artes e Audiovisual na UnB. Criador da ESCUTA QUE É BOM.

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