ARTIGOELETRÔNICA

O ritmo que embalou o berço do Funk – Conheça a História do Volt Mix 808

Dos mercadinhos underground para o Brasil

 

O que é o Volt Mix?

 

Quando o funk carioca começou a botar a cara no sol, lá pelo fim dos anos 80, teve um beat que se tornou o arroz-com-feijão de todas as músicas que estouraram naquela época: o VoltMix. Se você não lembra, foi aquela batida que precedeu o tamborzão, com uns graves absurdamente estourados e dançantes pra caralho. Mas de onde veio essa batida?

 

O beat é do DJ Battery Brain. O nome original da batida é “808 Beatapella Mix”, que era a segunda faixa do lado B do single 8 Volt Mix. Daí o nome. No início dos anos 90, essa foi a base usada para vários “Raps”, que é como a galera chamava aqueles funks tipo o Rap das armas, do Cidinho e Doca.

Mas como esse beat veio parar em terras tupiniquins?

Carlinhos Nazista, ou DJ Nazz

 

Essa história começa com um cara com um apelido nada convidativo: Carlinhos Nazista, ou DJ Nazz. Carlos Machado, DJ com mais de 40 anos de cabine, produtor musical, engenheiro de som autodidata e o maior traficante de discos que o Brasil já viu.

Pelo corre dele, entraram milhares de discos de vinil no país. O sujeito viajava para Miami, São Francisco, Londres e Europa, num geral, para buscar as novidades do mercado. Depois, desembarcava no Rio com malas e malas de discos, exclusivíssimos, coisa muito boa. Carlinhos abria as malas no Largo da Carioca, centro do Rio, e vendia as bolachas ali mesmo, no modo ambulante. True demais.

Carlinhos “Nazista”

Como também era DJ, muita coisa ele separava somente pra ele. Naquela época, a entrada de discos de eletrofunk, miami bass, essas coisas, ainda era meio limitada ao som mais mainstream, então os outros DJs não tinham acesso algum às raridades que o DJ Nazz trazia da gringa. Por isso, ele era o primeiro a tocar seus discos underground nos bailes black no rio. Por um ano, só ele teve o Volt Mix no Rio, e as pessoas iam pras festas em que o DJ Nazz e seus amigos iam tocar só pra ouvir o batidão.

Um ano, até o som vazar e ganhar o Brasil e virar a batida típica a embalar os bailes da pesada no Rio de Janeiro, para, algum tempo depois, ser substituída pelo (agora) clássico TAMBORZÃO.

 

 

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Natan Andrade Medeiros

Escritor de ficção científica e histórias de boteco, palpita nas horas vagas sobre música em todas as suas formas de vida (seja ela animal, vegetal ou mineral). Publicitário pela UnB e especialista em Mídias Sociais. Escreve contos e crônicas na publicação Simbiose, no Medium, desde 2016. Natan Andrade também está por trás dos podcasts da Escuta Que É Bom.

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