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Preto é luz, Inacy é magia

Ouça o EP de estréia da mais nova revelação fluminense

Inacy é puro som, pura cor, pura magia. A cantora de 28 anos, nascida e criada em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), lançou há pouco o seu primeiro e homônimo EP. É sobre a beleza e a incrível sonoridade desse trabalho que trocamos esse dedo de prosa hoje.

Criada nas bordas do Rio de Janeiro pela avó e pela tia, Inacy tem longa história musical, já que começou a cantar ainda criança, aos 8 anos, no coro da igreja frequentada pela família.

Como a maioria das mulheres pretas do Brasil, Inacy se lançou ao mundo do trabalho e de telemarketing, passou por cargos administrativos e também atuou no teatro.

Segundo conta, mesmo transitando em diversos desses espaços, não se sentia satisfeita com essas profissões, algo lhe faltava.

Foi essa insatisfação o motor que a cantora fez funcionar para a transformação que viria depois. Mudou-se para São Paulo e, logo de início, descoberta por uma dupla de produtores, adentrou o mundo musical onde produz sua luminosa arte preta.

Inacy – “Teu Espaço” (Inacy).

A grande Lélia González dizia de si que, como mulher negra, ela assumia a sua própria fala. Inacy faz o mesmo que a feminista afrolatinoamericana. Ela canta e escreve em primeira pessoa, sendo a autora das seis músicas do EP.

A produção musical do EP é assinada por uma parceria muito bem sucedida entre o nigeriano GMike e o brasileiro Tico Pro, que trabalharam um som com toques de R&B, música eletrônica e outros sons negros como o rap, a música jamaicana, a soul music e influências como Alicia Keys e Jorge Bem Jor.

Essa mistura não poderia dar outro resultado senão a excelência produzida pela cultura contemporânea e pela ancestralidade negra. A música é solar e embala memórias e histórias de diferentes dimensões da vida cotidiana com a energia do empoderamento em cada um de seus acordes.

Inacy – “Me Deixa Viver” (Inacy).

O disco começa com “Despedida” música simples com mistura de riffs, reggae, trap e jungle; falando de despedida e de amor o disco é romântico e reserva a beleza da saudade, registrada com lindeza em ¨Teu Espaço”, que se movimenta entre o indie rock e o trap e nos desmonta nesse encontro de sentidos e energias.

Há paixão à primeira vista no som de “Replay”, música com groove que nos remete à noite dos anos 1990 e há amor e leveza em “Dança Comigo”, que toca fundo num toque blues que remete ao melhor da música preta estadunidense.

Se por algum motivo, até este momento do disco, o ouvinte ainda não tiver se embebido de amores pela cantora, é a hora da entrega, do instante em que Inacy nos tem a todos.

Todavia, não é só o amor romântico, entoado com leveza, que Inacy canta. Há delicadeza na força preta que se materializa em “Me Deixa Viver”, uma funk music com marcas de maracatu, e texto sobre a solitude, essa característica positiva do estar só no mundo, de quem dança com a solidão e tira de letra, que está repleto de si e de autocuidado.

Além do poder de “Me deixa viver”, a música que é o single do disco, “Preto é luz” é puro empoderamento. A música potente e cheia de cor ganhou clipe, com direção e foto de Joyce Prado, montagem de Larissa Estevam e produção de Arthur Baeta.

O clipe de Inacy tem reverberado a ginga de seu som cativante e é um convite pro verão de alegrias de nossa ancestralidade afro-brasileira consciente de sua força, beleza e alegria.

Inacy – Preto é luz (Inacy).

Por sinal, há em cada acorde do disco uma citação aos ritmos afro-brasileiros, em diálogo com o que se pode chamar de “world music”, uma mistura contemporânea, que somadas viram uma mágica preta-Lo-Fi.

Como sinaliza em “Preto é luz”, Inacy tá chegando de mansinho, suave no estilo, para arrasar.

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Fredson Carneiro

Baiano de Ibititá, sou apaixonado por música desde sempre. Sendo um diletante nas artes, sou mestre em Direitos Humanos pela Universidade de Brasília e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolvo pesquisa sobre as transformações promovidas no direito e na política pelas lutas das pessoas transvestigeneres. Sobre a vida e a música, concordo com Milton Nascimento: "Há canções e há momentos/Em que a voz vem da raiz/Eu não sei se é quando triste/Ou se quando sou feliz/Eu só sei que há momento/Que se casa com canção/De fazer tal casamento/Vive a minha profissão".

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