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Blvesman, novo álbum do Baco, chega pra dar porrada em racista

Qual sua faixa favorita do segundo disco do Exu do Blues?

O novo álbum do Baco já tá na pista! Cheio de porrada na moleira de racista e abusando na versatilidade, Blvesman é a nova aposta do Exu do Blues para dar continuidade ao sucesso que Esú foi capaz. O disco saiu nas plataformas digitais na madrugada da última sexta-feira (23).

Neste segundo disco, Baco mostra uma versatilidade que ainda não havíamos conhecido. Pelo menos não de forma tão aflorada. Ele mistura referências e instrumentos musicais de vários ritmos, sempre exaltando a negritude. Tem referência a B. B. King no CD. Tem referência a Kayne West, Jay Z e Beyoncé no CD. Tem referência a Exaltasamba no CD. Essa parada de misturar vários conceitos vem do fato de que o Exu não criou o Blvesman pensando em rap, trap, blues, samba… Blvesman é um disco de música. É isso.

A partir de agora eu considero tudo blues. O samba é blues, o rock é blues, o jazz é blues o funk é blues o soul é blues, eu sou o Exu do Blues. Tudo que, quando era preto era do demônio e depois virou branco e foi aceito, eu vou chamar de blues. É isso. Entenda. Jesus é blues. Baco Exu do Blues, em Bluesman

Baco Exu do Blues
A capa do disco é a foto de um negro tocando guitarra no Carandiru, casa de detenção em São Paulo que sediou o Massacre do Carandiru, o maior da história do sistema prisional brasileiro. Quer algo que represente mais o blues do que isso?! Foto: João Wainer/Reprodução

Também é importante falar da forma que Baco expressa as dores que sente através das músicas dele. En Tu Mira, do primeiro disco, chamou atenção por causa disso. Quando ele fala que “isso é um pedido de socorro. […] você tá aplaudindo e eu tô me matando”, não é de brincadeira. Em Kanye West da Bahia, uma resposta àquele momento da vida dele: “Morri como rapper em En Tu Mira, voltei como Bluesman e agora eu me sinto bem, bem, bem”.

O rapper não tá nem aí pro que nós vamos pensar sobre os sentimentos dele. Em Bluesman, ele explica: “Eu sou um dos poucos que não esconde o que sente. Choro sempre que eu lembro da gente. Lágrimas são só gotas, o corpo é enchente.”

“Querem que nossa pele seja a pele do crime, que Pantera Negra só seja um filme”

Sobre as pauladas nos racistas: 90% das faixas têm papo reto contra o racismo e a forma que a sociedade diminui o negro no dia-a-dia, além da exaltação à negritude. Claro, Baco não poderia fazer diferente.

Bebendo tudo… esse preto tem sede Linhas caras, rimas de alfaiataria fina. Eu só me curvo pra chupar minha mina. Autoestima pra cima, meu cabelo pra cima. Olha bem pro meu olho e me diz quem domina Baco Exu do Blues, em Preto e Prata

Com certeza você vai ver algumas frases marcantes nas suas redes sociais e apps nos próximos dias. Outras frases que vocês vão ler bastante são frases de Queima Minha Pele, Flamingos e Me Desculpa Jay Z, que lembram Te Amo Disgraça, música que fez virar a carreira do protagonista deste texto.

Muita coisa em apenas nove faixas, né?! Por isso que é preciso ouvir, ouvir de novo, ouvir mais uma vez e assim vai. Até entendermos tudo que Baco tem pra nos dizer em Blvesman. Mas antes de ir lá ouvir de novo, conta pra gente: qual sua faixa preferida até então?

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Willian Matos

Jornalista. Natural de Brasília-DF. Toca samba e ouve música brasileira desde moleque. Não vai com a cara dos gringos brancos. Escreve sobre rap e r&b na Escuta Que é Bom.

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