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LANÇOU! Rosa Neon completa primeiro álbum com duas inéditas mais clipe

Depois de oito hits lançados mês a mês, banda mineira revela trabalho inteiro que será prensado em vinil

Formada por Luiz Gabriel Lopes, Marcelo Tofani, Mariana Cavanellas e Marina Sena, Rosa Neon é o retrato mais pop e contemporâneo da música de Minas para o Brasil.

Pra quem acompanhou a saga este é um momento único, de vermos a primeira obra completa da banda que vem nos surpreendendo a cada mês com hit e clipe novos. De pegada leve, puxada para o funk, com jeitinho tropical e produção impecável, Rosa Neon subiu e desceu as montanhas de Minas e chegou até o mar, foi devagar, pediu com carinho pra tomar banho na piscina da sua casa e plantou na mente de milhares de brasileiras um som que não sai nunca mais.

Acumulando mais de dois milhões e meio só no Youtube e no Spotify a banda apresenta nesta quinta (5/9) duas faixas inéditas que somam as dez do primeiro disco, com o nome próprio e capa assinada por Sarah Leal. Os clipes, todos, foram dirigidos por Vito Soares e Belle de Melo. Estes nomes, Thiago Malaco, Baka e outras, formam o que chamam de ‘núcleo de base’, mostrando que o projeto é pensado de maneira plural e feito para além dos palcos e da internet.

O disco estará disponível em vinil e nas plataformas digitais, a arte remete à obra dos Doces Bárbaros de 1976. Além das oito conhecidas, chegaram pra somar a faixa 9 ‘RosaNeon’ – a primeira composta pelo grupo ainda em Milho Verde/MG – e 10 ‘Cê Não Tem Dó de Mim’, que ganhou clipe novo com imagens feitas em Lisboa na primeira EuroTour da Rosinha e durante as gravações dos primeiros clipes.

A nova ‘Cê Não Tem Dó de Mim’ relembra o clima acústico que fez a carreira da banda.

 

Apesar de pertencer a um universo distante, o rapper mineiro (e atual Deus) Djonga é um dos primeiros incentivadores da banda. Mostrando por um lado sua inteligência em reconhecer um bom trabalho fora de sua zona e por outro o destaque que é Rosa Neon, ganhando entusiastas de peso no cenário nacional. LG Lopes também participou da música ‘Estilo’ da dupla Hot e Oreia. Com o “chefinho” Djonga produziram quatro das faixas do novo Ladrão.

“As personalidades destoam harmonicamente no Rosa. Isso é muito interessante e talvez o motivo por eu gostar tanto. Pessoalmente, me sinto muito parte desse processo e sei lá… Eu gosto dessa merda rosa aí!”, define o rei.

‘Vai devagar’ foi a última música lançada e contempla o ápice de sensualidade do grupo.

 

Cada música carrega uma sensação diferente, o que é igual em todas elas é a identidade tropical, solar, colorida e de total liberdade. O ritmo frenético baseado em beats modernos e bem masterizados, mix de pop, funk, synths e dubs e até lambada e carimbó, conferem ao grupo originalidade suficiente para uns dez anos a frente, em trilha sonora de filmes, novelas e da vida de muita gente.

Pirraça chegou em maio com uma historinha latina protagonizada pelo Marcelo

 

A “safadeza suave” como costuma chamar Marcelo está longe de ganhar uma definição, digamos, bem formatada. “Quem tiver que entender, vai entender” como canta LG em seu solo “Embalagem”, o clipe de abril, a faixa com o discurso mais direto do disco – e entrando em primeira pessoa, a minha preferida.

“[temos] o imaginário hippie como matéria prima, porém já devidamente atualizada. O protagonismo compartilhado, a doçura bárbara e a sedução cósmica, dentre outras hashtags”

Luiz Gabriel Lopes, em entrevista para o UOL.

Tudo é feito com “o DNA e a riqueza da sempre importante cena musical de Minas Gerais”, como define o grupo. Afinal, LG e os 3 M’s são artistas de velha data lá pra aquelas bandas, onde de Marcelo Camelo a Tim Bernardes, todos querem morar. A estética, despretensiosa e intensa, reflete nossos dias, algo talvez um pouco mais jovem que os próprios integrantes, mas que leram bem e reproduzem com excessos agradáveis, convidativos, descarados e permissivos.

Essa estética saturada no clipe de março ‘Picolé’ faz da extravagância instrumento para a liberdade. Não tem como resistir à ideia de viver de shortinho e chinelo, cada qual com sua estampa. Rosa Neon é a chancela que faltava aos héteros ou amantes ortodoxos do funk, rompendo a barreira friendly, com muito respeito.

Ombrim é a música de fevereiro e entrou para todas as playlists de carnaval.

 

Em menos de um ano entraram para a lista de melhores clipes do Rafael Chioccarello do Hits Perdidos em janeiro, fevereiro e junho. Rapidamente viraram a queridinha da Nicolle Cabral na Rolling Stone. Chamaram a atenção do Cleber Facchi do Miojo Indie e também da galera do Minuto Indie. Com lembranças de Jaloo a Banda Uó, de Braza a qualquer cantora pop que a gente parece conhecer a vida inteira, Rosa Neon tem o futuro todo pra mostrar o tanto que há de criatividade pra misturar quantos samples e animal prints forem necessários.

Brilho de Leão abriu o ano já prevendo agosto e o calor do inverno brasileiro

 

O primeiro show do quarteto como Rosa Neon aconteceu em 29 de novembro de 2018 no Teatro Sesi Minas em BH. Na ocasião o repertório incompleto dava lugar para Lulu Santos e Marília Mendonça, que certamente deve ser legal curtir ao vivo. O mais interessante nessa história é como foi espontânea a formação da banda.

Marcelo Tofani começou carreira em 2014 em seu EP bem sambado, consolidando ano passado com o álbum ‘Nada é Azul’. O belo-horizontino já conhecia o carioca Luiz Gabriel Lopes, ou apenas LG Lopes, que também tem dois trabalhos lançados ‘O Fazedor de Rios’ 2016 e ‘Mana’ 2017. Em tour pelo estado conheceram na cidade de Milho Verde Marina Sena (da A Outra Banda da Lua) e Mariana Cavanellas (da Lamparina e a Primavera). O encontro foi como raio que não costuma cair no mesmo lugar e toda aquela história.

“O impacto que causamos não foi planejado. Percebo que no nosso estado o pop music quase não existia. Por todos os cantos o que se via e ouvia era canção. Acredito que o Rosa tem um papel nesse sentido: o da liberdade da criação do campo musical. O fato de assumir o pop como um estilo também é importante culturalmente, rompendo barreiras” Mariana

A ideia de reinventar o pop brasileiro, utilizando de timbres universais da música eletrônica dando aquela cadência latina, é o segredo que os mineiros não tem vergonha de contar. Com presença confirmada no Coquetel Molotov de Pernambuco e turnê que acaba de começar e vai passar pelas quatro regiões do país, os mineiros são uma das maiores apostas do ano.

SIGA PRA ACOMPANHAR A AGENDA: @neonrosaneon

 

Contrariando os sons já lançados, as duas inéditas são mais calmas, era aquele gostinho que faltava de paixão e conceitinho, algo parecido só tinha acontecido em “Estrela do Mar”. A faixa título é a gênese, experimental e delicada. Não diferente de “Cê Não Tem Dó de Mim”, quase confessional, com indiretas nas entrelinhas. Música que marca a trajetória dos integrantes, que começaram cada qual com seu violão, no seu barzinho de confiança.

“Nós quatro viemos desse lugar de cantor e compositor carregando seu instrumento. É um campo bem familiar pra nós e que queríamos mostrar nesse álbum”Marcelo

 


De Milho Verde para o Mundo; Rosa Neon é o pop que faltava em Minas.

 

Cada música/clipe/obra merece um post pra falar de sua construção, influências e as histórias por trás, mas enquanto isso não acontece, pra você que ainda não viu os dois primeiros trabalhos que apresentaram Rosa Neon ao mundo, tire o atraso:

E fique ligada, em breve tem mais
Rosa Neon por aqui!

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Felipe Qualquer

No rádio desde moleque pesquisa o universo da música e escuta de tudo. Em MG atuou nas rádios Minas, Nova e 94FM. Em Brasília passou por Transamérica, Metrópoles e MIX FM. Escreveu para os jornais Gazeta do Oeste e O Popular e Revista ShowBar. Produtor cultural desde 2010 com trabalhos no festival EcoMusic, Rua do Rock, Usina de Rima, Grito Rock, Festa Nacional da Cerveja, Toma Rock, Transamérica Convida, No Setor e Cervejaria Criolina. Estudou comunicação e é graduando em Teoria, Crítica e História da Arte na UnB.

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